Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Ele acha que o Estado vive um bom momento, mas admite que tudo pode ficar ainda melhor
'O povo saberá cobrar'





Cristina Moura


"Colocamos adiante o medo para não deixar passar o nosso futuro."


(Rudolf Steiner )

O garoto Giulianno tomou gosto pela política inspirado no pai, Enivaldo dos Anjos, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo, mas com uma bagagem de mais de 30 anos na vida pública. Na região noroeste do Estado, Giulianno começou a admirar, em especial, um meio de comunicação, o rádio, que lhe possibilitou sonhar com outro ramo, formar-se em Comunicação Social.

O jovem, no entanto, queria mesmo algo diferente, embora também com caráter político, porém eletivo. Foi eleito vereador de Barra de São Francisco, suplente de deputado federal e, agora, prepara-se para começar o seu mandato de deputado estadual pelo PFL, partido que se mantém na base governista da Assembléia.

Nesta entrevista, Giulianno dos Anjos fala sobre suas três propostas iniciais, todas vinculadas à produção de rochas, trabalho que, segundo o deputado, é inesgotável. Para ele, o tema será a "menina dos olhos" do Estado, num futuro não tão distante. Ele considera que o atual governo conseguiu bons resultados com seus projetos, mas tem consciência de que ainda falta fazer muita coisa para se chegar a um estágio ideal. "Isso o povo saberá cobrar", diz, confiante. Confira.

Século Diário: - Política sempre foi seu projeto de vida? Como foi que o interesse surgiu?

  
Foto de: Nerter Samora
  
Giulianno dos Anjos: - É meio parecido com o pai que torce pelo Vasco e obriga o filho a torcer pelo Vasco. É mais ou menos isso... (risos) Meu pai não me obrigou, mas é difícil não falar em meu pai, que foi político mais de 30 anos e, na minha casa, sempre fui habituado a conviver com política e com políticos. Acho que é de berço mesmo. Nasci e cresci convivendo com política. Peguei esse gosto. São duas áreas que gosto muito: política e jornalismo. Cheguei a cursar um ano de Comunicação Social.

- Quase colega...

- (risos) É, mais a influência do rádio, dirigi uma emissora de rádio e, por isso, estava sempre nesse meio aí me relacionando com as pessoas. Nunca cheguei a um programa de rádio, mas fiquei como diretor geral, promovendo ações sociais. Minha vida de vereador também me ensinou muito, de 2000 a 2004. Também consegui a suplência como deputado federal e, agora, dou deputado estadual. Graças a Deus, vamos fazer um trabalho bom.

- Quais são as expectativas?

- Minhas expectativas para o mandato, a partir de fevereiro, estão em torno de projetos. Tenho três projetos para apresentar, quando entrar o período legislativo. Quero protocolar na Mesa, buscar o apoio dos deputados e do governador para tentar inserir no plano estadual. Um deles é a estadualização da ponte de Colatina, que é uma obra federal que está parada desde 1989. Começam um pedacinho e não terminam. Acredito que, se estadualizarmos aquela área, a chance de deixá-la apta é muito grande. O governador tem que ter previsão dos gastos, está trabalhando com seriedade e tem compromisso com o Estado; então, acredito que esta seja uma solução. Isso ajudaria muito o escoamento da produção nas regiões norte e noroeste.
  
Foto de: Nerter Samora
  
Quem vem de Linhares, passa por Colatina e, de repente, com a ponte, ganha meia hora numa viagem. Há mais de quinze anos está parada a obra e, não somente a população de Colatina, mas a população do norte e do noroeste do Estado pede que isso seja resolvido. Adianta parte da viagem, principalmente se pensarmos sobre o escoamento da produção, de mármore, de granito.. Inclusive, há uma questão séria com os caminhoneiros sobre isso, justamente por causa daquele trecho, que poderia economizar na viagem. Mas, queremos apresentar na Assembléia essa questão, contar com o apoio dos colegas e, claro, com o apoio do governador. Outro projeto é criar uma comissão permanente de granito e rochas ornamentais, outro produto que já é o tesouro do Espírito Santo e vai ser muito mais, dentro dos próximos anos. Hoje, o Estado está focado em petróleo e gás. Mas tem que estar mesmo. Isso faz parte da realidade do Estado hoje. Só que isso vai acabar. Dentro de 25 anos... não vai mais ser explorado. Eu tenho dito que a rocha, o granito, não tende a acabar. É material para um milhão de anos.