"A primeira função de um líder político é a advocacia. Ele é que deve articular as necessidades, frustrações e as aspirações das massas".
(Aneurin Bevan)
Foi com o ensinamento de que "nem todo político é igual" que o jovem advogado Elion Vargas Teixeira, reeleito como vereador em Alegre, conseguiu mais de 11 mil votos para ocupar sua vaga na Assembléia Legislativa. Detalhe importante: com o PRP na cabeça, um partido, que, segundo o deputado, tem a sua cara. Outro importantíssimo detalhe: para conseguir a vitória ele teve que afastar de seu um caminho uma pedra, uma verdadeira rocha em matéria de poder político e econômico, chamada César Colnago.
Colnago repetiu em Alegre o que fizera em numerosos outros municípios. Ou seja, tentou trocar obras na área de saúde e nomeações para cargos comissionados na Assembléia por votos; "Foi difícil derrubar o Colnago, mas eu conseguiu com o apoio do governador, que achou importante minha eleição e pediu ao Colnago para se afastar de Alegre", conta Elion.
Pois é com essa cara, a coragem de enfrentar políticos inescrupulosos e a vontade de moralizar que está chegando à Casa um representante do sul do Estado. Elion já chega com a credencial de ter peitado o presidente da Assembléia, César Colnago (PSDB), nas últimas eleições, e enfrentando concorrentes numa região "loteada" (termo usado por ele) por nomes como Fátima Couzi (PTB), José Tasso (PFL) e Zé Ramos (PFL).
Mesmo diante desses velhos caciques da cena política, Elion, que havia decidido não seguir a área jurídica, recusando duas aprovações em concurso do Ministério Público, não desanimou: optou com força pela política. No seu mandato municipal, disse ter agido com paciência. Nesta entrevista, o deputado eleito, representante do Caparaó, também cita as dificuldades da sua região: observa que pode até haver intenção turística, mas o que falta é a consciência empresarial.
Século Diário: - Como foi o seu despertar para a política?
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Foto de: Nerter Samora
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Elion Vargas Teixeira: - Todo mundo é motivado por alguma coisa. Eu não poderia ser diferente. Não escolhi em troca de nada, mas por motivação. Eu entrei na vida pública em decorrência de indignação, diante do que estava acontecendo na minha região. Fiquei pensando o que eu poderia fazer para ajudar nessa situação. A gente tem que entender que tem que ter humildade e dar apenas um passo de cada vez. Eu consegui a minha primeira eleição na terceira tentativa, fui candidato como oposição ao prefeito. Foi um mandato intenso, problemático. Cheguei a ficar dois anos isolado por ser oposição, mas lutamos e conseguimos mostrar à população de Alegre que é possível fazer uma política diferente. Consegui a reeleição e, logo em seguida, a presidência da Câmara. Nosso projeto inicial foi transformar os valores políticos. A minha plataforma de eleição para vereador era transformar os valores políticos da minha cidade, onde havia a tendência de falar que "se roubava, mas fazia". Mostramos que foi possível fazer sem roubar. Então, muito trabalho, muita paciência. Para um político ser bem sucedido, ele tem que entender que está ali, ocupando aquele lugar como político, mas está lidando com outros seres humanos. Naquele pensamento de Xenofontes, onde lembramos que é venal o dinheiro do homem que se consegue... Então, já se entra preparado para enfrentar o homem, mas, tendo um objetivo. Devagarinho, conseguimos colocar a nossa idéia e criamos em Alegre a TV e a rádio Câmara. Com isso, o povo passou a participar mais. Também através da tribuna popular, procuramos ouvir mais e saber o que era mais urgente.
- Então, os dois veículos de comunicação foram instigando a população a participar...
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Foto de: Nerter Samora
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- Exatamente. O povo tem que participar. Se não sabe o que está acontecendo, a tendência é se afastar. Então, nós trouxemos o povo para a vida pública de Alegre. E agora é difícil tirar isso porque as pessoas querem participar. Quem está me sucedendo vai ser difícil quebrar esse processo porque houve uma reversão de valores. Criamos um debate intenso na Câmara e, devagar, fomos aprimorando, crescendo. Eu, por exemplo, sou o principal homem do prefeito, sou da base do prefeito, mas apresentamos um projeto contra nepotismo. A mulher dele, funcionária, ou seja, ele concordou, achou que era necessária a ação que fizemos. Houve muita pressão do secretariado porque íamos exonerar muita gente, mas conseguimos aprovar em Alegre um projeto de lei antinepotismo, colocamos o recesso para quarenta dias, reduzimos valor das diárias... Aos poucos, fizemos os políticos entenderem que o mandato tinha que se sobrepor a vantagens pessoais. Devagarzinho, fizemos um trabalho de moralização muito grande na política de Alegre, fomos incutindo valores éticos. Agora, queremos trabalhar nesse sentido também.