"Existem muitos roteiros, cada qual adequado a uma situação diferente."
(Sófocles)
João Carlos, ainda criança, recebeu, dentro de casa, o apelido de Cacau. Ele vem de uma família importante e influente na região serrana do Espírito Santo, com o sobrenome que logo lhe rendeu a disposição para pensar, um dia, mais seriamente, na vida pública. Observou os parentes, começou sendo vereador, como ele mesmo definiu, "de baixo", passando pelas dificuldades que um homem público de cidade do interior geralmente enfrenta ao se candidatar.
A família, profundamente ligada à Igreja católica, ensinou a Cacau o provável caminho das pedras. Será que ele já imaginava chegar à Assembléia? Depois de ser prefeito de Marechal Floriano por duas vezes e dizendo-se representante das comunidades, quis experimentar outro rumo. É que, segundo ele, ser parlamentar proporciona uma visão global dos problemas da população.
Nesta entrevista, o recém-eleito deputado estadual fala das suas propostas para a nova vida. Ele quer que o projeto Caminho do Campo prospere e proporcione desenvolvimento para a sua região, que conta com uma forte aptidão turística. Cacau reconhece: sem estrada boa, o turista não volta.
Século Diário: - Como foi surgindo o seu interesse pela vida pública?
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Foto de: Ricardo Medeiros
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Cacau Lorenzoni: - Ah, a família. Minha família me influenciou muito. Meu avô, meus tios... Isso foi por volta de 1965... Meu avô, Paulo Lorenzoni, resolveu partir para a política três vezes... Já tive parente no governo, no Tribunal de Contas... E, hoje, o que quis seguir a vida pública fui eu. O resto... (risos) foi cada um para um lado. Primeiro, eu tive vontade de ser vereador por Domingos Martins, quando Marechal, oficialmente, nem existia. Depois da emancipação de Marechal Floriano me candidatei, outra vez, a vereador. Fui eleito como o mais votado e presidi a Câmara. Depois, candidato a prefeito. Fui eleito com a maior votação do Brasil, em termos proporcionais. Depois fui reeleito prefeito com 78 por cento de aprovação. Quando eu estava pensando em dar um descanso... (risos) veio essa candidatura a deputado estadual. Veio por aclamação das comunidades e das igrejas, que queriam um representante da região serrana. Há quase vinte anos, não tinha um representante. Vim a ser candidato quase em cima da hora, faltando, praticamente, trinta dias para as eleições. Graças a Deus, conseguimos estar aqui. A região serrana agora tem um representante, que há muito tempo não tinha.
- Mas o seu reduto compreende quais municípios?
- Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Afonso Cláudio... Até porque, muito em cima da hora, não tive muito tempo para me deslocar até Ibatiba, Iúna... Ficou muito em cima. Procurei me concentrar mais nesses municípios que falei e, de certa forma, também na Grande Vitória. Como só tem um representante, vou procurar ampliar minha atuação em outros municípios.
- Quais são seus projetos? O que o senhor pretende levar para a região serrana?
- Temos que dar continuidade àquele projeto muito bem feito, muito bem elaborado, que é o Caminho do Campo. O projeto deu uma alavancada muito grande na região, não só por meio do escoamento da produção. Os nossos produtores rurais sentem muita dificuldade em escoar a produção agrícola. Com aquelas estradas, numa região montanhosa, parte da produção fica, praticamente, perdida. Às vezes, passam a noite ou o dia todo para retirar um caminhão dali. É difícil o acesso. O projeto Caminho do Campo, que é muito bem elaborado, vem sanando o problema do escoamento da produção.
- E seu partido? Pretende ficar nele?
- Por enquanto, sim. Estou bem nele. Tranqüilo.
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Foto de: Ricardo Medeiros
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- Há a influência de outros nomes na região. Como o senhor está lidando com a penetração de outros nomes, como Gilson Gomes e Gilson Lopes?
- Na eleição, tivemos muito pouco contato. São pessoas que atuaram mais em municípios separados. Gilson Gomes atuou mais em Afonso Cláudio, na divisa com Santa Leopoldina, e na Grande Vitória. E Gilsinho... não tive contato com ele, até porque atuo em áreas diferentes. Minha área religiosa, é mais ligada à Igreja católica, à Renovação Carismática.
- E as eleições municipais? O senhor tem vontade de se candidatar?
- Olha, com relação à sucessão municipal, muito difícil eu me candidatar. Vai depender muito do processo porque existem muitos candidatos bons.
- Pode citar alguns nomes?
- São vários. Não vou citar não porque pode dar confusão. Por enquanto, não tem nada definido. Há candidatos bons, que podem representar muito bem o município.