Centrais desatentas




Caetano Roque da Silva


Esta semana quero falar com os trabalhadores. Alertá-los sobre a diferença entre os sindicatos que realmente estão na luta para defender os interesses dos trabalhadores e os sindicatos que estão aí só para levar vantagem com função político-partidária. Não precisa ser muito esperto para notar a diferença. Basta acompanhar os noticiários.

Há pouco tempo os sindicatos foram levados a Brasília para fazer movimento em favor do aumento do salário mínimo. Esquecendo até de salário mínimo e salário do governo, salários profissionais justos e participação nos lucros e resultados. Como se não bastasse, até aposentado agora tem sindicato. Ele deveria ser representado pelo sindicato da categoria pela qual se aposentou.

Admitem-se modernidades. Se os aposentados criassem um sindicato, ou mesmo uma associação para buscar participação no INSS que lhes garantisse o valor integral do seu salário, não ficariam batendo na tecla do salário mínimo. E essas entidades atuariam no SUS para que o aposentado tivesse um atendimento digno. Isto não passa pela cabeça desses dirigentes.

Acertar esses problemas é dever das Centrais Sindicais. Infelizmente, até a CUT, a central com mais vivência política na área dos direitos dos trabalhadores, chegou a participar de movimentos pelo aumento do salário mínimo. Mas aí começa a aparecer a diferença.

Vejam bem, o governo lançou o PAC, para gerar emprego e renda, o que é bom para os sindicatos e para a sociedade em geral. Agora vem a Força Sindical e apela à Justiça para discutir o FGTS, com o qual ninguém nunca se preocupou. Aí aparece a cara dos sindicatos de centrais partidárias.

Não é de se assustar que o coordenador do Condefat seja da Força Sindical. No entanto, saíram de lá empréstimos às megaempresas como Aracruz e Vale com juros de 1,4% ao ano. Isto mostra que a Central está defendendo muito mais interesses de empresários do que do trabalhador.

Seria bom que as outras centrais ajustassem os ponteiros com a Força, porque o crescimento de um país atende muito mais à classe trabalhadores do que a qualquer outro setor da sociedade. O país crescendo gera emprego e renda e alavanca a economia. E isso não seria bom para o sindicato? Melhor que uma ação na Justiça que visa a criar barreiras para o alavancamento desse crescimento.

Se não bastasse a reforma sindical que eles emperraram, vemos que as Centrais estão desatentas. Porque quatro anos passam em um piscar de olhos.