Silêncio preocupante




É impossível não se estranhar o silêncio do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a denúncia de improbidade administrativa envolvendo o deputado César Colnago (PSDB) em sua gestão à frente da Assembléia Legislativa.

A denúncia, feita pelo deputado não reeleito Neto Barros (PDT), tem consistência e é gravíssima. Segundo seus termos, Colnago negociou apoios eleitorais, interior afora, em troca de cargos comissionados na Casa.

E foi ainda mais longe: distribuiu verbas da área da Saúde para obras em cidades nas quais teve apoio de prefeitos, vereadores ou cabos eleitorais influentes. Esse dinheiro saiu dos cofres da Assembléia.

Foi devolvido ao Executivo como sobra. Mas teve destinação certa por indicação de Colnago. Nas cidades em que foram realizadas as tais obras, o deputado tucano teve expressiva votação.

Neto Barros listou algumas dessas obras, forneceu sua localização, discriminou o montante do dinheiro aplicado e complementou as informações com os números da apuração. Ficou comprovado, assim, o uso da máquina pública com fins eleitorais.

Procedimento idêntico foi adotado pelo pedetista quanto às nomeações para cargos comissionados. Onde conseguiu fechar acordos eleitorais, Colnago teve gente nomeada para cargos comissionados que nunca apareceu na Assembléia. Um escândalo sem precedentes na história do Legislativo capixaba.

Soube-se agora que, numa das reuniões de deputados destinadas a formar uma chapa de consenso para comandar a Assembléia na atual legislatura, Colnago foi apontado como responsável por superfarturamento de contratos de prestação de serviços à Casa. A acusação partiu do deputado Theodorico Ferraço (PTB).

E do MPE não sai uma palavra sobre as denúncias. A de Neto Barros foi protocolada imediatamente após a divulgação dos números da eleição, quando se comprovou que Colnago conseguiu a reeleição graças a negociatas envolvendo cargos comissionados na Assembléia e obras na área de Saúde.

O Ministério Público é, por definição legal, uma instituição independente. Nem poderia ser de outra maneira, pois existe para fiscalizar o cumprimento das leis e punir os infratores, doa a quem doer.

É evidente que uma investigação séria vai comprovar o envolvimento de Colnago nas irregularidades denunciadas. O que intriga e preocupa é o silêncio do MPE sobre o assunto. Se é mesmo independente, tem que investigar.

Agora, se está preso a interesses subalternos, sejam estes do governo ou de elementos a ele ligados, aí é outra história. Seja como for, esta é uma história que precisa ser esclarecida o quanto antes.