O PT ficou de fora da distribuição de cargos na Assembléia Legislativa. Ou melhor, o ex-presidente da Casa, Cláudio Vereza, foi deixado de fora das negociações, dizem, por ordem do governo. O isolamento do partido deixou claro que houve reação ao deputado que levantou a voz contra Hartung no final do ano passado.
Vereza criticara duramente a falta de posicionamento do governador no segundo turno da eleição presidencial. O prefeito de Vitória, João Coser, porém, saiu em defesa do governador e chegou a dizer que houve um acordo entre o presidente e o governador, que garantia a neutralidade de Hartung no embate Lula x Alckmin, mesmo deixando toda a claque tucana do governo a serviço do candidato do PSDB a presidente.
Resultado: Coser foi recompensado com a abertura da vaga para o candidato dele, Givaldo Vieira, que vai assumir o lugar do socialista Rodrigo Chamoun, convidado para ser secretário de Transportes. Já Vereza ficou sem nada, nem mesmo um encontro com o governador o partido conseguiu viabilizar esta semana para discutir a possibilidade de enquadramento petista na Casa.
E olha que o PT nem pleiteava a presidência. Uma secretaria ou comissão importante já estava de bom tamanho. Mas vai ter que se contentar em observar a distribuição à distância. É claro que a bancada com três deputados garante ao partido participação nas comissões, mas o filé, esse já foi fatiado entre os cachorros grandes.
Mais uma vez, o episódio mostrou como o governador é astuto. A rebatida de Hartung foi calculada friamente, já que tudo parecia resolvido entre o partido e governo do Estado. Mantendo a relação institucional com o partido, aproximando-se do prefeito de Vitória, ele conseguiu isolar o presidente do partido.
Tudo indica que os próximos dois anos, pelo menos, serão de tempo ruim para o PT na Assembléia. O partido, ou melhor, o deputado Cláudio Vereza deve ir para o isolamento e não terá força para enfrentar o grupão, que seguirá unido. E com a fama adquirida por Vereza na época da presidência da Assembléia a situação só tende a piorar.
Fragmentos
1 - Entre os cargos ainda sem definição de ocupante está a temida Corregedoria da Assembléia, que trouxe gloria à deputada Sueli Vidigal (PDT) e ajudou a derrubar o deputado Geovani Silva (PSDB).
2 - A julgar pela dureza com que conduziu a Comissão de Justiça, que presidiu interinamente no ano passado, uma certeza os deputados do grupão tinham: Vereza é que não poderia jamais ser o corregedor.
3 - O novo corregedor-geral terá pela frente uma situação difícil para enfrentar. Já estariam prontas as denúncias contra o deputado Wolmar Campostrini (PDT), acusado de participação no esquema das associações.
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