Dinheiro do FAT
financia a morte





Ubervalter Coimbra


A dívida dos produtores rurais - leia-se do agronegócio do eucalipto, da cana, entre outros - às indústrias de venenos agrícolas em 2005 ficou entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. A maior parte da dívida foi refinanciada com a liberação pelo governo federal de R$ 4 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para prorrogação das dívidas da safra 2004/05.

A revelação é do próprio Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), em seu site. O setor, depois de dois anos de vagas magras, dá sinais de recuperação em 2007. Mas o crescimento, mesmo, do uso dos venenos e dos lucros das indústrias dos venenos agrícolas deve ocorrer a partir de 2008. O Sindag informou que em 2005 o faturamento do setor foi de R$ 10 bilhões.

A indústria dos agrotóxicos chama seus produtos de "defensivos agrícolas". Um eufemismo que esconde os enormes malefícios dos venenos agrícolas que afetam não só os produtores, como os consumidores.

Os capixabas têm muito a ver com isso, pois o Espírito Santo é o terceiro estado do País no consumo por pessoa dos agrotóxicos.

Destinar recursos do FAT para pagar a conta do agronegócio à indústria dos agrotóxicos é um absurdo. Pois os venenos agrícolas matam 10 mil brasileiros por ano. E, dos 500 mil brasileiros que intoxicam por ano, cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no país.

Além de financiar a indústria dos venenos, que mata dos brasileiros, o dinheiro do FAT é ainda usado para financiar plantios de eucalipto e fábricas de celulose. Este dinheiro também mata - pois o agronegócio, particularmente o do eucalipto para produção de celulose e da produção de cana-de-açúcar, entre outros, também empregam rios de venenos agrícolas. Mas, principalmente desemprega.

O último desses empréstimos à Aracruz Celulose, de R$ 595,9 milhões do PIS/Pasep e do FAT foram praticamente doados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a juros de até 1,4% ano. Só este empréstimo vai tirar 60 mil postos de trabalho no campo.

Os recursos do FAT são ainda emprestados a bilionários, como a Lakshmi Mittal, que tem a terceira maior fortuna do planeta, e recebeu dinheiro para a sua Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). Que também mata os capixabas com a poluição do ar e dos recursos hídricos. À CST o BNDES emprestou R$ 719,4 milhões, a juros são baixíssimos.

Comparado ao que a indústria dos venenos agrícolas recebe, os pequenos produtores rurais, que efetivamente produzem os alimentos que os brasileiros consomem, não recebem nada do FAT.

Os pequenos negócios, que efetivamente criam empregos, também nada recebem comparativamente às grandes transnacionais.

Do pouco que se vê, passa da hora de os trabalhadores enquadrarem o governo federal e exigir dele destinação socialmente justa e ambientalmente equilibrada dos seus recursos que formam o FAT.

O que não se pode é permitir que o dinheiro do trabalhador continue financiando o desemprego.

E a própria morte do trabalhador.

A hora é de ação pela agroecologia!


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