Vitória (ES), edição de 31 de janeiro de 2007

Ida para o governo garante
sobrevivência política de Colnago



Renata Oliveira
Foto capa: Apoena

Com a definição da Mesa Diretora e das comissões permanentes da Assembléia, o atual presidente da Casa, César Colnago (PSDB/foto), que deixa o cargo nesta quarta-feira (31), vai compor a equipe de governo de Paulo Hartung. O deputado estava cotado para ocupar a cobiçada Secretaria de Educação do Estado, mas deve ficar mesmo com a pasta da Agricultura.

Na nova composição da equipe, o atual secretário de Agricultura, Ricardo Ferraço (PSDB), deve ocupar apenas o cargo de vice-governador, já que Hartung não estaria pensando na sucessão estadual agora. A pasta não é tão pomposa quando a de Educação, mas foi nela que Ferraço ganhou projeção em todo o Estado e seria o deputado federal mais votado do Estado, se não tivesse sido escolhido como vice de Hartung.

A saída da Assembléia significa sobrevivência política para César Colnago. Isto porque o clima para ele em seu segundo mandato na Casa não é nada bom, sobretudo em relação aos parlamentares reeleitos. O isolamento de Colnago ficou evidente nas discussões para a eleição da Assembléia, quando o deputado foi deixado de fora das negociações.

Esse comportamento dos deputados em relação a Colnago é uma reação à postura dele quando esteve à frente da Casa. Para se eleger presidente, em 2004, Colnago fez, segundo os próprios deputados, várias promessas de concessões aos colegas. Promessas que jamais foram cumpridas.

Outro ponto que ajudou a piorar a relação dos parlamentares com o atual presidente da Casa foi sua postura diante de acusações contra os colegas. Os deputados afirmam que Colnago foi uma das principais fontes de denúncias a parlamentares, sobretudo para o jornal "A Gazeta", sobretudo contra deputados que o enfrentavam em plenário.

Além disso, alguns deputados reclamam da divisão de cargos na Casa, embora ele tenha prometido dividir igualitariamente os servidores por gabinete. Colnago concentrou as nomeações em suas mãos. O deputado foi denunciado no Ministério Público Eleitoral (MPE) por compra e votos em troca de cargos na Assembléia. Uma lista de nomeações foi entregue ao MPE, pelo deputado Neto Barros (PDT), mas até hoje não houve qualquer investigação.