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Foto: Divulgação
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| Atum Sólido ao Óleo Comestível
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Quando as obras de Júlio Schmidt começaram a ganhar visibilidade, a partir do primeiro lugar obtido com as gigantescas latas de atum e sardinha no
III Salão do Mar (realizado em Vitória no ano de 2001), muita gente se apressou em rotular o trabalho do artista como uma espécie de releitura da Pop Art sessentista. Afinal, à primeira vista, associamos imediatamente as pinturas tridimensionais de Schmidt às latas de sopa de Andy Warhol: como bem diz Kátia Canton, no catálogo da exposição
Still Life/ Natureza Morta, o atum Gomes da Costa e as sardinhas Beira Alta, escolhidos por serem as marcas mais presentes no cotidiano do artista, seriam equivalentes às sopas Campbell's no contexto da domesticidade brasileira. E esse parentesco aparentemente é fortalecido quando percebemos que, ao conjunto de três latas, sucederam-se outras duas séries que explorariam esse contexto doméstico: uma composta por rótulos de potes de mantimentos e outra de pinturas inspiradas em desenhos de azulejos antigos.
Contudo, as aproximações ao Pop, segundo o próprio Júlio, param por aí. A começar pela recusa a uma reprodutibilidade que poderíamos supor implícita aos trabalhos:
"É pop? É meio display publicitário, tem um aspecto gráfico, cores chapadas... mas é peça única" , declara.
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Foto: Divulgação
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| Azulejo
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Quando apresentou sua série
Rótulos (iniciada no Salão Yázigi, em 2001, e continuada na exposição coletiva
Efervescência, realizada na galeria Sandra Rezende, no começo do ano seguinte), poderíamos pressupor que Schmidt enveredaria por uma espécie de produção em série: no entanto, as cinco telas -
Feijão, Açúcar, Talco, Pimenta e Sal, inspiradas nos tradicionais potes de mantimentos (com direito à camada de verniz ao redor dos rótulos emoldurados com flores e nomes escritos numa impecável caligrafia), permaneceram como trabalhos únicos, jamais reproduzidos, à exceção de uma segunda série de telas, dessa vez em pequenos formatos (12 cm x 18 cm), apresentada na exposição
Bouquet (2005). O mesmo ocorreu com
Alma de Flores (2002), reprodução tridimensional da embalagem hexagonal de talco, amplamente popular nas décadas de 50 e 60, e com a série
Azulejos (2003), constituída de seis pinturas em tamanho 15 cm x 15 cm que reproduzem, em escala natural, os complexos, coloridos e graciosos desenhos de azulejos de origem portuguesa, seduzindo o espectador por sua beleza quase artesanal.
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Foto: Divulgação
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| Açúcar
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Também é comum percebermos na pintura de Júlio Schmidt o uso de um traço muito mais gráfico que pictórico. Aqui, essa visualidade gráfica cumpre a função de "apagar" os indícios da pintura, em especial as pinceladas delatoras da presença da mão humana na confecção do objeto. Contudo, o gráfico nos é reapresentado sob a esfera do artesanal, e não do industrial, como o são as Marilyns serigrafadas de Warhol: seja nas latas de sardinha e atum, nos rótulos ou nos azulejos, por mais que o resultado final tente ocultar a pincelada, a única técnica utilizada é a pintura, e em nenhum momento Júlio lança mão de serigrafias ou quaisquer outras técnicas que permitam uma reprodutibilidade em média ou larga escala. Ele destaca ironicamente que o que ele pinta pode até vir acompanhado de um manual de aplicação:
"Qualquer um pode repetir meu trabalho, desde que tenha a destreza de um artesão" , diz, lembrando-nos que apenas alguém dotado de um alto grau de destreza manual seria capaz de reproduzir o detalhamento do intricado desenho apresentado pelo artista. Ou seja, numa época de reprodutibilidade extrema, ele provocativamente sugere que se percorra o caminho inverso.
E-mails para o colunista: erlyvieirajr@hotmail.com
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