Terrorismo político derrotado





Rogério Medeiros

As pressões do governo para que não houvesse outra chapa na disputa pelo diretório do PMDB não surtiram efeito. O candidato do governador Paulo Hartung, o deputado federal Lelo Coimbra, vai ter que enfrentar uma chapa de oposição formada por legítimos peemedebistas.

Representa uma reação das bases do partido à pretensão do governador de tomar o partido. De nada adiantaram as pressões que foram feitas através do secretário José Eugênio e dos históricos Wilson Hease e Chico Donato. Todos a serviço de intimidar os delegados à convenção do próximo dia 8.

Muito menos adiantaram as intervenções feitas nos diretórios municipais pelo seu atual presidente, o presidente da Assembléia, também histórico, deputado Guerino Zanon. Como numa corrida de obstáculos, os históricos se deram bem. Como o estatuto do partido prevê a proporcionalidade, qualquer que seja o resultado eles vão levar um pedaço do partido.

O que, de certa forma, vai limitar o processo de migração de outros políticos já listados para nele ingressarem. Embora já haja quem até ache que os históricos possam ganhar a convenção. Baseiam-se no fato de haver surgido a chapa debaixo de pressões, enfrentando um processo de verdadeiro terrorismo político.

Conseguiram o mais difícil que foi fazer a chapa. Como a votação é secreta, agora tudo nela pode acontecer. Até porque a chapa registrada de oposição contém poucos delegados. Ela é totalmente basista. Como tal, livrou-se do arbítrio. Pegaram PH pelo pé. Ficou sob ameaça de ser até derrotado. Ou, na melhor das hipóteses, dividir o partido com os históricos.

De qualquer maneira, a construção da chapa, na calada da noite, driblando pressões, fugindo de ameaças, como se estivessem recém-saídos de uma casa de terror, valeu a pena. Provou que o leão não é, efetivamente, o rei da selva, pelo menos na selva de pedra em que PH faz a vez do leão.

Fragmentos
1 - Em Vila Velha, A vitória da corrente Unidade na Luta sobre a corrente da Articulação de Esquerda, na última convenção do PT, revelou que a pré-candidatura do economista e presidente do Funcep, Guilherme Lacerda, à prefeitura é viável e vai servir para abrir campo de manobra em favor do prefeito Max Filho (PDT).

2 - A começar pelo distanciamento do PT de candidaturas à prefeitura no esquema do governador Paulo Hartung, que pretende neutralizar a futura candidatura de Max Filho ao governo através da derrota de um candidato seu à sua sucessão na prefeitura de Vila Velha.

3 - Pois a partir de um candidato petista ligado a ele, como é o caso do Guilherme Lacerda, ele pode muito bem formar uma aliança com um candidato do seu partido, o PDT, a vice-prefeito. Aumentam as suas possibilidades de fazer o seu sucessor e, consequentemente, sua candidatura ao governo.