Vitória (ES), edição de 03 de julho de 2007
 
Para ONG, 'lei seca' não vai
resolver problema da violência



José Carlos Bacchetti


O projeto da "Lei Seca" está em tramitação na Assembléia Legislativa (AL). A idéia de se restringir o horário de funcionamento dos bares, impedindo assim a venda de bebidas alcoólicas a partir das 23h00, tem sido, até agora, a "grande cartada" apresentada pelo secretário de Segurança Pública Rodney Miranda para diminuir os índices de violência na Grande Vitória. Entretanto, na contramão da proposta do secretário, a Organização Não-Governamental (ONG) Gvcrime (www.gvcrime.org) defende que a maioria dos crimes de assassinatos e tentativas de homicídios não ocorre a partir das 23 horas, e sim entre 18h e 23h.

Três profissionais, um jornalista - Alex Cavalcanti -, um psicólogo e um designer são os responsáveis pela criação do site e elaboração das pesquisas. O grupo começou este trabalho com a preocupação de pesquisar e repercutir de forma diferente a relação mídia e violência. Fizeram pesquisas em jornais e no banco de dados do Centro de Integrado Operacional e Defesa Social (Ciodes). E descobriram uma ferramenta rica para auxiliar outros pesquisadores interessados no estudo da escalada da violência na Grande Vitória.

A equipe constatou que as principais vítimas da escalada da violência são jovens e pessoas entre 21 e 40 anos. Aparece como uma das principais causas o tráfico de drogas. Na periferia e nos bairros pobres todo mundo ingere bebidas, mas na classe média o índice de desentendimento é pequneo, o que evidencia que falta políticas públicas de segurança.

Para o estudo ficar ainda mais completo, a ONG GVcrime ouviu um especialista em São Paulo, para falar sobre a redução da violência na cidade de Diadema (Grande São Paulo), que está servindo de modelo para o Brasil. Lá, na cidade paulista, os índices foram reduzidos em até 30% em função dos resultados do Projeto "Lei Seca".

Mas segundo o editor do site, Alex Cavalcanti, um pesquisador competente descobriu que houve redução porque a polícia foi para as ruas fiscalizar os locais onde havia sido implantado a "Lei Seca". Com a polícia nesses locais, disse ele, os índices reduziram. Diante desses fatos, o estudo mostra algumas divergências com os critérios adotados pelo projeto de "Lei Seca" e os padrões de violência identificados na Grande Vitória.

Ele quer saber: "O que motivou a escolha do período compreendido entre as 23 horas e cinco horas da manhã?". E deixou claro que não faz parte de um grupo partidário ou que faz oposição às políticas do Estado ou ao Secretário de Segurança. "Queremos apenas fornecer elementos concretos para o debate sobre políticas públicas de segurança", afirmou.

Os pesquisadores questionam também que os bairros com altos índices de homicídios e tentativas de homicídios ficaram de fora da seleção da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, que quer aplicação da "Lei Seca" como forma de reduzir os assassinatos nas regiões consideradas de riscos na Grande Vitória.

São eles: Itacibá e Itanguá (Cariacica); Conjunto Coqueiral de Itaparica, Divino Espírito Santo, 1º de Maio, Ulisses Guimarães, na Grande Região de Terra Vermelha, Cobilândia, Rio Marinho, Soteco e Ponta da Fruta (Vila Velha); São Pedro I, III e V e Ilha do Príncipe (Vitória); Marcílio de Noronha, Eldourado (Viana); Santa Mônica e Praia do Morro (Guarapari), Feu Rosa, Jacaraípe, Novo Horizonte e Vila Nova de Colares (Serra).