Certas originalidades do governo Paulo Hartung dão o que pensar. Acostumados à velha cantilena do equilíbrio das contas públicas, do combate ao crime organizado, da atração de investimentos e outras pérolas do cardápio diário dos discursos oficiais, eis que de vez em quando nos deparamos com coisas que não se explicam por si.
Chamemos assim: coisas. Porque são fatos que jamais merecem questionamentos, embora sejam encontradiços no Diário Oficial do Estado ou em trâmites rotineiros do Legislativo.
Foi num desses trâmites, o do Orçamento estadual, que Século Diário pescou um quadro da evolução orçamentária dos poderes do Estado que mostra como esse governo às vezes nos surpreende. É no quadro comparativo que se depara com a espantosa evolução registrada no orçamento do Ministério Público Estadual (MPE).
Nos quatro anos e meio da gestão Hartung, o MPE registrou crescimento de 131,5% em volume de verbas repassadas pelo Executivo. Em cifras, a evolução se deu assim: em 2002, orçamento de R$ 82,1 milhões: em 2003, R$ 97,27 milhões; em 2004, R$ 105,21 milhões; em 2005, R$ 107,71 milhões; em 2006, R$ 128,48 milhões; e em 2007, R$190,25 milhões.
É, portanto, neste ano pré-eleitoral que a instituição encosta nos R$ 200 milhões.
Não acha o leitor que tamanha evolução mereceria uma boa explicação do governo? É verdade que o atual governo não se presta muito a dar explicações. Até porque ninguém lhe cobra isso.
Mas, no caso, caberia exatamente ao Legislativo procurar saber por que o MPE tem abocanhado tanto dinheiro público nesses quatro anos e meio. Ou à mídia. Mas de nenhum desses matos sai coelho. Embora, principalmente da Assembléia, fosse lícito esperar algum questionamento.
Porque há um dado curioso no quadro comparativo. A Assembléia, em 2002, tinha um orçamento de R$ 92,1 milhões, R$ 10 milhões superior ao orçamento do MPES. Decorridos quatro anos e meio, o MPES passou-lhe a perna de forma impressionante, pois aquele poder evoluiu apenas 7,16%, contra os 131,5 % do Ministério Público. Por que será?
Resta-nos ficar boquiabertos diante das inevitáveis comparações sobre evoluções bem mais modestas dos demais poderes constituídos. E registrar que nesses quatro anos e meio o MPE não viu nada no governo que merecesse uma ação.
Ele tem agora uma oportunidade ímpar para demonstrar isenção e vontade política de investigar. Do Conselho Regional de Medicina (CRM) está chegando às mãos dos procuradores estaduais e de seus colegas federais um diagnóstico da saúde pública no Estado que aponta uma situação de absoluto desrespeito com a população.
Aguardemos, pois.
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