O Revis e a trama





Ubervalter Coimbra


Aos poucos vão se aclarando a posição dos que tramam contra a criação do Revis de Santa Cruz e da APA Costa das Algas.

O projeto, proposto pela comunidade, foi elaborado (com competência) pelo Ibama, tramita no governo federal com aval do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O projeto está ameaçado de veto pelo ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, para atender pedido do governo do Estado, da bancada federal capixaba e de prefeitos, como o de Aracruz e de Colatina, esse presidente de sua associação.

Por que o governo Paulo Hartung, os parlamentares e os prefeitos são contra o projeto, se a criação do Revis e da APA visa proteger parte da região de maior biodiversidade do país? Se de suas águas saem (estão em franca destruição) estoques de peixes que povoam boa parte do Atlântico? Se a região, entre outros, seqüestra carbono e contribui para reduzir o Efeito de Estufa?

Não têm filhos e netos os parlamentares que buscam destruir o projeto?

O bombardeio ao projeto não segue a lógica, que é a de uso sustentável da região, para preservar a área para o futuro.

Ocorre que há interesses empresariais em jogo. Não. Não supostos interesses, usados como argumento junto ao governo federal, como os de que serão prejudicados os pescadores da região, e impedidas ou dificultadas as atividades empresariais portuárias e de exploração do petróleo e gás.

Esses argumentos, está provado, são falácias. O projeto foi elaborado com competência e eliminou quaisquer superposições das áreas a serem protegidas e as destinadas a uso empresarial.

Os interesses empresarias em jogo são menores, muito menores, mas como são de corporação, são tratados assim, corporativamente: um por todos e todos por um. É que as empresas estão de olho nos minerais da região que será protegida.

Não é que foi revelado o requerimento de uma delas, a Talento, que quer explorar calcário na Serra? Pela falta de dados, ainda não se tem precisão, mas é possível até que haja superposição da área que está na mira da empresa e a área das unidades de conservação.

E, como é que o governo Paulo Hartung pode dizer não às empresas lobistas, se são estas que lhes financiam as campanhas eleitorais?

Como os parlamentares - já listados contra o Revis e a APA os deputados Neucimar Fraga (PR), Rita Camata (PMDB), Camilo Cola (PMDB), Jurandy Loureiro (PTB), Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Lelo Coimbra (PMDB), além dos senadores Gerson Camata (PMDB) e Renato Casagrande (PSB) - cujas campanhas eleitorais são financiado pelas principais empresas poluidoras, vão contrariar os interesses empresariais?

Entre as quais as poderosíssimas Aracruz Celulose, ArcelorMittal CST e Companhia Vale do Rio Doce. E a não menos poderosa Cepemar?

Pois contrariadas as empresas, quem vai financiar suas futuras campanhas eleitorais?

A trama, que não é tênue, vai se tornando cada vez mais visível. Motivo a mais para os que defendem a vida marinha na área de maior biodiversidade do país não esmoreçam.

Sua causa é nobre e será vitoriosa: o Revis de Santa Cruz e a APA Costa das Algas hão de ser criados!


Contato: ubervalter@seculodiario.com