Vitória (ES), edição de 10 de julho de 2007

Grampo: relatório sobre documentos
sai, mas não é revelado



Texto e foto capa: Nerter Samora


Mistério no final das investigações sobre o sumiço de documentos dos anais da CPI do Grampo na Assembléia Legislativa: a Comissão de Inquérito que apura o caso entregou seu relatório final ao diretor-geral da Casa, Bruno Margotto Marianelli(foto), mas o texto continua desconhecido. Com isso, segue em aberto o destino desses documentos, que, apesar das investigações, não apareceram.

As informações continuam mantidas em sigilo tanto entre os membros da Comissão quanto pelo diretor-geral da Casa. Bruno afirmou que não teve acesso ao relatório, encaminhado na noite dessa segunda-feira (9) a seu setor e que somente após uma leitura criteriosa ele será enviado ao presidente da Assembléia, deputado Guerino Zanon (PMDB).

As investigações tinham como objetivo principal desvendar o sumiço de 127 páginas do 13º volume dos anais da CPI, sumiço atribuído inicialmente ao procurador da Casa Fernando Silva. Essa tese é endossada por dois documentos oficiais, mas o procurador alegou em seu depoimento que foi vítima de uma armadilha, porém não citou nomes de quem poderia estar por trás do caso.

Entretanto, no decorrer das investigações ganhou força e foi bem ventilada nos bastidores a versão de que desaparecimento ocorrera no subsolo do palácio Domingos Martins, numa verdadeira queima de arquivos e provas que incriminariam membros da cúpula do governo do Estado.

Esta operação teria sido comandada pelo presidente da Assembléia na última legislatura, o deputado licenciado e atual secretário da Agricultura, César Colnago (PSDB), que com o auxílio de dois assessores, teria realizado tal operação. Sobre a figura do ex-presidente da Casa também pesa a suspeita de ter sido o interlocutor da comentada negociata entre os membros da CPI do Grampo e as autoridades que seriam indiciadas.

Sem informações sobre o teor do relatório final, a interrogação sobre o sumiço permanece, sem se saber se Fernando Silva será punido por sua eventual participação, que também não foi comprovada.

Outro questionamento levantado é da possibilidade de ser recomendada uma nova investigação, desta vez mais abrangente, tentando não apurar a conduta de um servidor, mas o porquê de documentos ainda não identificados terem desaparecido dentro do prédio da Assembléia.


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