O programa Caminhos do Campo, do governo Paulo Hartung, está envolto em sombras. A empreiteira contratada para tocar a maioria das obras desse programa, Delta Construções S.A., que tem sede no Rio de Janeiro, carece de ideoneidade para prestar serviços ao poder público.
Está envolvida, País afora, em escândalos que vão da formação de cartel a fraudes em licitações públicas e doações suspeitas para campanhas eleitorais. Teve funcionários presos por fraudes e está sendo questionada pela péssima qualidade de seus serviços.
Em palavras simples e objetivas: é uma empresa que só compromete os que a contratam. E sua má fama já foi objeto de matérias divulgadas na imprensa nacional.
De acordo com o jornal "Folha de S. Paulo", a Delta falsificou documentos para se habilitar em licitações, irregularidade descoberta por uma auditoria do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). A documentação falsa deu condições à empresa de participar da construção de um dos trechos da Linha Verde, via expressa ligando Belo Horizonte ao aeroporto de Confins, na região metropolitana da capital mineira.
No programa emergencial do governo federal, a empreiteira Delta foi escolhida pelo Dnit, sem concorrência pública, para executar obras em estradas federais no Maranhão e na Paraíba. Não fez nada que prestasse.
Mas o grave em seu histórico é mesmo a folha corrida. Quando uma empresa é flagrada em atos de corrupção, como aconteceu, deve o poder público impedi-la de participar de novas concorrências.
Tem mais: responsável pela execução das obras emergênciais da operação tapa-buracos no Ceará, a Delta esteve sob investigação do Ministério Público Federal por suspeita de Ter sido favorecida em licitações. Ainda segundo a "Folha de S. Paulo", a Polícia Civil do Paraná prendeu 19 pessoas por suspeita de alimentar um cartel de empresas que definia os preços de obras públicas no Estado.
Nada disso, porém, tirou a Delta do cadastro de prestadoras de serviço do governo capixaba, que contratou 11 empreiteiras para o Caminhos do Campo, mas dando tratamento privilegiado à Delta, que ficou com nove estradas contra duas da segunda beneficiada. Ela embolsou até agora quase R$ 27 milhões (precisamente 26.986.510,02), dos R$ 64.648.485,61 investidos pelo governo do Estado no programa, dos quais mais de 12 R$ milhões resultaram de aditivos contratuais.
O programa Caminhos do Campo é um dos carros-chefe do governo Hartung desde meados do primeiro mandato, ao tempo em que ocupava a Secretaria de Agricultura o hoje vice-governador Ricardo Ferraço.
A péssima qualidade dos serviços da Delta é fato notório. Ela não tem correspondido à generosidade do governo capixaba, pois vem sendo muito econômica na aplicação de massa asfáltica em todas as obras sob sua responsabilidade. Se não fosse pela falta de bons antecedentes em seu perfil, esse já seria um bom motivo para ser banida do Espírito Santo.
Mas está aí, firme e forte.
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