A Central do Grampo Telefônico da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) vai se instalar no prédio onde hoje funciona a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Barro Vermelho, em Vitória. Para isso, a DHPP deverá ser transferida para o município da Serra. A denúncia é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), José Rodrigues Camargo (foto).
"A DHPP será a Central do Grampo. É lá que o governo pretende instalar o Núcleo de Inteligência, uma integração das polícias Civil e Militar que vai trabalhar com a interceptação telefônica, restringindo o direito dos cidadãos ao grampear as conversas. O que nós estamos conversando neste momento está sendo gravado", disparou Camargo.
"Você sabia disso?", questionou Camargo qundo falava à reportagem deste Século Diário: "Rodney é um delegado federal. É isso que ele sabe fazer. É assim que a Polícia Federal trabalha. Grampeando telefones", desabafou Camargo, afirmando que o Guardião tem suas filiais que estão, segundo ele, instaladas na DHPP, Delegacia Anti-Seqüestro, Furtos de Veículos e Núcleo de Repressão ao Crime Organizado (Nuroc), entre outros locais.
Camargo lembrou que o delegado Joel Lyrio, que foi quem presidiu as investigações sobre o Grampo na Rede Gazeta, já foi promovido ao cargo de superintendente e está cotado para ser o novo chefe de Polícia Civil no lugar do delegado André Neves. Explicou que as investigações por ele comandadas não chegaram a lugar algum.
"Inocentou o secretário de Defesa Social, Rodney Miranda, e agora está sendo contemplado. A delegada Fabiana Maioral (superintendente de Polícia Especialziada - SPE) quebrou também o galho e está sendo contemplada. Isso faz a gente entender o porquê da volta do delegado Rodney à Sesp. Na Assembléia Legislativa foi a mesma coisa: quem era do contra agora está a favor do governo", pontuou Camargo.
Ele diz que o crime continua galopante no Estado, principalmente na Grande Vitória. "É notório", disse, ao afirmar que a sociedade sabe que estão faltando policiais nas ruas para combater e investigar os crimes. "Se o governo continuar insistindo com esses projetos tipo lei seca e colocando taxistas, porteiros e motoristas para ajudar a identificar criminosos, vai patinar a vida toda, e tudo vai continuar do jeito que está", desabafou.
"Este número de homicídios é exagerado. O governo deve entender que a qualidade e a quantidade de policiais são insuficientes, e que não estão resolvendo. Eu mesmo já tenho 24 anos na carreira policial, e se mantida a Lei da Aposentadoria Complementar de número 51 de 1985, em breve estarei me aposentando, a exemplo de outros colegas", destacou Camargo.
Camargo se declara um réu confesso como crítico do secretário Rodney, que, segundo ele, nunca participou de uma rodada de negociação salarial para discutir o problema da categoria. Para ele, Rodney procura utilizar a mídia para causar na população uma sensação de segurança. E para exemplificar voltou a falar sobre a DHPP.
Explicou que a Polícia Civil trabalha baseada nas cobranças da imprensa. E não tem efetivo para investigar os crimes em que são vítimas as pessoas pobres, da periferia. Já na DHPP existem mais de 14 mil inquéritos, ou seja, quase mil para cada delegado com uma equipe de seis policiais, que além dos casos de repercussão, a exemplo da morte da médica Gilcy Brandão, têm que atender às ocorrências do dia.
O governo tem tentado, segundo Camargo, dar uma satisfação à sociedade por meio do secretário Rodney, que por sua vez utiliza projetos como o da Lei Seca e apoio dos taxistas, porteiros e motoristas para inibir o crime. Mas, pondera Camargo, esta situação vai perdurar até que o governo entenda que é necessários preencher os quadros da Polícia Civil.
Informou que estão se preparando para entrar em ação 25 delegados e 40 escrivães, mas este número continua não sendo o ideal. O ideal - disse ele - para o momento, seriam mais 50 delegados, 80 escrivães e 800 investigadores.
|