Vitória (ES), edição de 17 de julho de 2007
 
Sindisaúde protesta contra novo
piso para médicos e defende greve

Isabela Araújo
Foto capa: Ricardo Medeiros



A informação divulgada pela Secretaria de Saúde, propondo reajuste no piso salarial dos médicos do Estado para R$ 2,5 mil, provocou indignação entre os profissionais de saúde. O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindisaúde) deve propor greve geral da categoria, em assembléia que será realizada na tarde desta terça-feira (17).

"Vamos montar barraca na frente da Secretaria de Saúde, até o governo nos tratar como iguais. Isso não pode. Esse tratamento diferenciado revolta a categoria", protesta a diretora administrativa do Sindisaúde, Luceni Novaes, que anuncia a paralisação dos funcionários do Estado para a próxima terça-feira (24).

A causa da revolta do sindicato é o aumento de R$ 1.345 mil para R$ 2.5 mil no piso salarial dos médicos com carga horária semanal de 20h. A matéria prevê um aumento proporcional às horas trabalhadas, isto é, R$ 3 mil para 24h, R$ 3.750 mil para 30h e R$ 5 mil para 40h. O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Elcio Alvares (DEM), pediu urgência no trâmite da lei, que deve ser votada ainda nesta terça-feira.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), Otto Fernando Baptista, vê a decisão do governo com cautela. Para ele, a lei deve ser analisada pelo sindicato antes de ser celebrada. "Fiquei surpreso com as manchetes dos jornais de hoje. Esse reajuste é fruto de uma negociação antiga entre o governo e os sindicatos. Não tivemos acesso à lei que o governo encaminhou à Assembléia Legislativa. Desta forma, não posso me posicionar sobre o assunto. Não sem antes analisar cada ponto", explica.

Na segunda-feira da semana passada (9), os médicos e representantes do governo do Estado se reuniram em assembléia no Conselho Regional de Medicina para discutir o percentual a ser reajustado, bem como o prazo em que será aplicado. O resultado da negociação foi a criação da lei. De acordo com o Simes, o reajuste deve beneficiar cerca de 2.070 médicos do Instituto Estadual de Saúde Pública e Secretaria Estadual de Saúde.

"Hoje, no sistema de saúde do Espírito Santo, contamos com médicos contratados, iniciantes e alguns com 32 anos de serviços prestados ao Estado. O sindicato representa oito mil médicos, não sabemos ainda se a medida contempla a categoria. Já temos nosso posicionamento, mas só vamos nos manifestar publicamente quando a lei for aprovada ", declara Otto Baptista.

Para Mônica Ceotto, servidora estadual do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória há 22 anos, o reajuste prometido pelo governo vem em boa hora. "Além desse reajuste, o governo do Estado deve voltar a atenção para os médicos com contratos temporários. É preciso acabar com esse sistema, pois o profissional trabalha sem ter acesso aos benefícios".

Ela aponta ainda as necessidades salariais das outras categorias ligadas à saúde pública. "Essas pessoas também merecem atenção do Estado. Defendo um plano de cargos e salários, além de condições para o atendimento de qualidade à população".

Como foi colocado pela médica Mônica Ceotto e amplamente divulgado na imprensa, todos os profissionais que atendem o sistema público de saúde reivindicam melhorias salariais. Desta perspectiva é possível entender a indignação do Sindisaúde.

Os médicos foram privilegiados com um reajuste prestes a ser aprovado em regime de urgência, enquanto os demais servidores não têm o mesmo tratamento. A polêmica do reajuste acontece uma semana após o anúncio do fim do Iesp, decisão tomada pelo governo sem consultar os servidores do instituto.