Vitória (ES), edição de 17 de julho de 2007

PT perde o controle e PSOL e PSDB
se unem para dominar a Amjap



Rossini Amaral
Foto capa: Syã Fonseca

Depois de mais de 20 anos à frente da Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap/foto), o PT perdeu a coordenação geral da entidade. O representante da Chapa 3 (formada por integrantes do PSOL), Jessé Gomes Alvarenga, foi eleito para o cargo nessa segunda-feira (16) com o apoio dos quatro membros da chapa 2, composta por tucanos e socialistas.

Por seis votos a cinco, ele superou o candidato da chapa petista, André Luiz Alves. O novo coordenador da Amjap é bancário e fazia parte da antiga facção petista Força Socialista, tendo deixado o partido junto com a principal liderança do grupo, Brice Bragato, quando ela se filiou ao PSOL. Ele já fazia parte da Associação, na secretaria de transportes. A critica de alguns membros da chapa 1 é de que Jessé pouco aparecia nas reuniões da Associação.

A eleição de Jessé representa uma mudança radical do ponto de vista político no bairro e que pode ter conseqüências na eleição do próximo ano para a prefeitura de Vitória. O episódio mostra a aproximação entre a extrema esquerda e a centro-direita, contra um inimigo comum, o PT.

Como conhece o funcionamento da máquina, porém, a chapa 1 conseguiu manter o controle administrativo da Associação, conquistando as principais secretarias da Associação, como a tesouraria, a secretaria geral, de esportes, saúde e cultura. Além da coordenação geral, o outro grupo ficou com a secretaria de transporte, segurança, habitação e assistência social.

O desafio da Associação agora será encontrar um consenso para debater as questões ligadas ao bairro. Como a questão política ficou evidente na disputa pela coordenação da chapa, ela ficará mais evidente em cada discussão. Para alguns observadores, a maior derrota foi da chapa 2. Isto porque os tucanos sempre desejaram chegar à coordenação da Associação, mas só conseguiram desalojar o PT, aliando-se à extrema esquerda.

O grupo do PSOL, por sua vez, alegou que não poderia se aliar à chapa 1 por tê-la criticado no período eleitoral. Mesmo diante do convite da chapa petista para fazer uma composição, o grupo preferiu aliar-se aos tucanos.