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Foto: Divulgação
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Depois de 36 anos de exercício poético e treze livros publicados, Chacal dá uma "parada estratégica para ver a vista" e publica
Belvedere (Cosac Naify e 7 Letras, 384 págs, R$ 55 em média), edição de sua obra completa produzida entre 1971 e 2007 que, portanto, traz não apenas os poemas de seus primeiros livros, mas também as produções mais recentes, que demonstram um claro amadurecimento do autor.
Entre os doze livros contidos em
Belvedere está o pequeno
Muito Prazer, Ricardo (1971), com o qual o poeta inaugurou sua poesia aos vinte anos de idade. Chacal foi um dos pioneiros da chamada geração mimeógrafo, que tirou a poesia das estantes das livrarias para "cair no mundo". Acompanha ainda o volume uma edição fac-símile do livro
Quampérios, editado originalmente em 1977 e considerado pelos críticos uma das melhores obras do autor.
Quando estreou, em 1971, com um pequeno livro de apenas cem exemplares mimeografados,
Muito Prazer, Ricardo, Chacal alterou todo o cenário da poesia brasileira, retomando o deboche e o lirismo ágil de Oswald de Andrade, atualizados com a cultura pop da época.
Seus poemas, alegres e altamente inventivos, sintetizavam o espírito daquele início de década, quando a revolução estética da Tropicália começava a ser levada para uma nova geração, ainda mais livre e irreverente. Eram poemas curtos, bem-humorados, que impressionavam pela incrível capacidade de Chacal de jogar com as palavras: "
RÁPIDO E RASTEIRO: vai ter uma festa/ que eu vou dançar/ até o sapato pedir para parar// aí eu paro/ tiro o sapato/ e danço o resto da vida".
Com
Muito Prazer, Ricardo, foi um marco da geração mimeógrafo: distribuindo o livro de mãos em mãos em lugares como a praia de Ipanema (mais precisamente as Dunas da Gal, o ponto de reunião da contracultura carioca) e os teatros do Leblon, Chacal foi descoberto por nomes como Waly Salomão, Torquato Neto e Hélio Oiticica, que o reconheceram como um renovador da linguagem poética, ao resgatar a vertente mais radical de nosso modernismo.
Agora, com a publicação de Belvedere pode-se finalmente ter um olhar amplo sobre a poesia de Chacal, e perceber como ela permanece viva e atual. Não apenas a de seus primeiros livros, mas também as produções mais recentes, que trazem um claro amadurecimento do autor. É só ler poemas como
Sete Provas e Nenhum Crime ou
Como Era Bom, para ver que Chacal soube também se recriar, não ficando preso à própria imagem.
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Foto: Guto Costa
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Sobre o autor
Ricardo de Carvalho Duarte, vulgo Chacal, nasceu em 24 de maio de 1951, no Rio de Janeiro. Estudou no Colégio André Maurois e na ECO-UFRJ. Estreou sua poesia em 1971, aos vinte anos de idade, com um pequeno livro de apenas cem exemplares mimeografados,
Muito Prazer, Ricardo.
Depois vieram
O Preço da Passagem (1972),
América (1975) e
Quampérios (1977) e a participação no grupo Nuvem Cigana, formado pelos poetas Bernardo Vilhena, Charles Peixoto, Guilherme Mandaro e Ronaldo Santos, para realizar, pela primeira vez no Brasil, a poesia moderna falada.
Depois da dissolução do grupo, em 1980, exerceu a palavra poética em teatro, como co-autor de
Aquela Coisa Toda, peça do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone; em música, compondo para grupos como Blitz e Barão Vermelho; na televisão; em crônicas de jornal, editou a revista O Carioca entre 1996 e 1998; e na produção de eventos como o
CEP 20.000 (Centro de Experimentação Poética), que ele organiza desde 1990. Foi ainda um dos fundadores do bloco carnavalesco Bangalafumenga.
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