Crueldade transnacional




Caetano Roque da Silva


Essas transnacionais, que sugam a economia do País, principalmente a do Espírito Santo, onde também arrasam com o meio ambiente, não aliviam sequer os seus aposentados. Estou me referindo aos aposentados da CST. Vejam o que ela fez com eles: onerou o plano de saúde deles para exclui-los.

Ninguém mais necessita de um bom plano de aposentadoria do que os idosos. No caso da CST, o registro mostra que o plano foi criado pelos próprios trabalhadores no tempo em que a empresa ainda era estatal. Vão ter, a essa altura da vida, de recorrer ao SUS, o mesmo SUS que entope os hospitais, vide o São Lucas.

Isto é cruel. Mostra também o custo social que as transnacionais trouxeram para o Espírito Santo. No diálogo da empresa com o Fundo, ela deixou bem claro que deseja excluir os aposentados. Estão levando os aposentados a recorrer à Justiça. Imaginem: uma Justiça sobrecarregada de processos, e os idosos terem que lidar com o tempo. É ou não é cruel?

O povo da CST é tão barra pesada que chega à raia de ameaçar servidor que tem parente aposentado, dizendo que ele pode perder o emprego caso o parente entre na Justiça. Agora, o importante é que a CST mudou de dono, mas o diretor-presidente, José Armando, permaneceu. E ele adaptou-se. Quando a empresa era estatal, ele mandava fazer festa todo ano. Sempre nos festejos natalinos. Continuou fazendo até a empresa passar para a Mital, dos indianos. De Papai Noel, José Armando pode vir a ser o carrasco dos aposentados.

Incrível: com exceção do Sindimetal, não houve mais nenhuma voz em favor dos aposentados. Seja no governo, na Assembléia e mesmo nas câmaras de vereadores. Isto é que é desesperador. Eles maltratam seus trabalhadores à vista dos nossos governantes. Agora mesmo, estamos com o governador Paulo Hartung desapropriando uma área imensa em Anchieta para as multinacionais ampliarem seus parques industriais. É mais grana para a CST, que vai colocar ali uma outra siderúrgica.

Bom, o que o aposentando deve fazer é mostrar aos atuais trabalhadores da CST que eles são os aposentados de amanhã, sem eira, nem beira, na fila do SUS.