Um raio ameaçador





Rogério Medeiros

O desejo da Mesa Diretora da Assembléia, de colocar ponto final nessa questão da CPi do Grampo, não vai surtir o efeito desejado. Há muita situação escondida dentro da CPI. A começar pelas razões do grampo, que continuam a ser omitidas. Algo atribuído à necessidade de patrulhar a imprensa na cobertura do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

E o grampo surgiu por aí. Principalmente o teor da apuração da morte do juiz em "A Gazeta", principal jornal do Estado. Hoje, sabe-se que a versão oficial não bate quando se vai à CPI do Grampo e depois ao inquérito da morte do juiz. As duas, confrontadas, atingem áreas da segurança que atuaram na investigação do crime. Tudo para chegar aos fatos reais passa, portanto, por uma questão de boa leitura dos anais da CPI e do inquérito da morte do juiz.

Estão aí as razões pelas quais a direção da Assembléia esforça-se para fazer um enterro de uma CPI acusatória ao governo. Vai ser difícil, pois desde o momento em que a própria Assembléia abriu uma comissão de inquérito para apurar o desvio de documentos, atendendo a uma proposta da deputada Aparecida Denadai, o caso voltou à baila. Criou o risco para o governo e quer agora resolver a questão da pior maneira possível: arquivando depois de punir o seu procurador Fernando Silva.
escolhido como bode expiatório.

E sem querer acabou lambuzando o acordo entre o governo e o presidente e o vice-presidente da CPI do Grampo, respectivamente suplente de deputado estadual Rudinho de Souza e o ex-deputado Cabo Elson. Feito para tirar o governo de ser responsabilizado por ação contra direitos individuais e liberdade de imprensa e ainda com implicações no caso do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

Há ainda alguns outros aspectos a considerar. Principalmente no que diz respeito ao relatório final da CPI do Grampo. Houve um relatório, de autoria do procurador Fernando Silva, a pedido do presidente da CPI, e outro do relator, deputado Euclério Sampaio. O primeiro deu em nada, pois não foi assinado por nenhum membro, mas o segundo, do Euclério, permanece valendo, apesar de na sua leitura terem faltado os demais membros da CPI.

Há uma série de situações, portanto, tramando contra o desejo do presidente da Assembléia, Guerino Zanon (PMDB), de sepultar de vez a CPI do Grampo. Pode muito cair um raio em cima dele.

Fragmentos
1 - deputado do PR Vandinho Leite está entrando no meio dessa relação balançada entre o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) e o atual prefeito, Audifax Barcelos (PDT). Agora mesmo, nas eleições da entidade do movimento popular na Serra, ele levou o prefeito para o seu lado, juntaram-se ao PT e venceram a chapa do Vidigal.

2 - Vandinho é da escola do atual presidente do PR, deputado federal Neucimar Fraga. Ao se colocar entre Audifax e Vidigal, ele partiu para isolar Vidigal e aumentar o poderio político do Audifax. Entendeu que o caso na Serra passa por um estímulo em favor da reeleição de Audifax.

2 - É evidente que a jogada cheira a interesse do governador Paulo Hartung, agora com Vidigal ocupando um importante cargo no Ministério do Trabalho. Governador dentro ou fora da jogada do Vandinho, a realidade é que estão trabalhando bem na Serra e caminhando pela avenida mais larga, que é tornar Audifax independente de Vidigal.