Vida de Imigrante - Jeitinho brasileiro nas terras do Tio Sam




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Enquanto as leis de imigração de Bush não chegam a seu final infeliz, o povo vai inventando jeitos de se acomodar na terra onde jorram dólares e coca-cola. O brasileiro é criativo e está sempre driblando os obstáculos que insistem em jogar no seu caminho. O jeitinho, nosso velho conhecido, está sempre nos surpreendendo.

Há sempre um jeitinho de se adaptar às situações adversas e mudanças intempestivas, sejam elas de clima, de leis, de preconceitos. No vale-tudo para permanecer no país, muitos se casam com americanas /americanos apenas para se legalizarem. Mas casamentos não se compram no Wal Mart, embora ali vendam bolos de noiva com um bom recheio.

Por isso Idamar, que veio do interior de Minas, também teve que se virar e encontrar seu "jeitinho". Queria ficar, mas era ilegal, e as coisas estavam muito complicadas. Cansado de correr dos oficiais da imigração e de amargar empregos mal pagos só porque não tinha documentos, Idamar achou um jeito de "comprar", ou melhor dizendo, "alugar" uma identidade americana.

Por meros 800 dólares, Idamar achou quem lhe permitisse usar seu nome e documentos de cidadão americano. A barganha era vantajosa, pois um casamento custa US$ 5 mil, e muitas vezes acaba dando errado. Com documentos legais no bolso, Idamar foi à luta. Arranjou um bom emprego, comprou casa, só andava de carro do ano, levava a família para passar o natal no Brasil, esses sonhos dourados de todo imigrante.

A farsa durou mais de dez anos, e duraria outros dez, não fosse a briga que Idamar teve com a mulher. Por algum motivo fútil, Idamar se desentendeu com a esposa, e o pau quebrou. Os vizinhos chamaram a polícia, e a polícia agora - com as novas leis anti-imigração - quer ver documentos. Idamar não teve saída, mostrou os documentos do outro, e foi desmascarado.

Idamar vai ser deportado, mas depois que cumprir a pena a que foi condenado por espancar a mulher. Revoltado, o mineiro culpou a liberação feminina do seu drama pessoal. No Brasil isso jamais aconteceria. Lá os vizinhos não eram bestas de se meter na vida dele. Passou dez anos pagando impostos, para quê? Se fosse mais um ilegal, pelo menos teria economizado o dinheirão que deu de presente ao ingrato Tio Sam.

Chorando ao sair de casa algemado, devidamente apupado pelas feministas de plantão, Idamar ainda fez uma solene declaração à imprensa. "Antigamente um sujeito podia dar uns safanões na mulher e ninguém se metia, que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Agora é essa vergonha, não respeitam mais os sagrados laços do matrimônio!"