O caos e
o ilusionista




O governo Hartung está prestes a completar cinco anos de má gestão em áreas críticas da vida capixaba com o mesmo discurso da primeira posse. Isto é, prometendo fazer o que sequer começou.

Todos os dias os jornais estampam promessas de medidas para combater o caos na saúde pública, a paralisia na área da educação e o aumento da criminalidade. Mas, de concreto, nada acontece que se possa considerar avanço nessas áreas.

O que vem acontecendo é o agravamento dos problemas. Nem poderia ser diferente. A população cresce e, por via de conseqüência, as demandas se avolumam.

O que está acontecendo na área da saúde é prova inconteste de que não há vontade política de encarar a crise de frente. Dizer que esse é um problema nacional, como vem fazendo o próprio Paulo Hartung, não exime o governo estadual de responsabilidade.

Muito menos serve de alento para quem padece nos corredores dos hospitais ou nas longas e intermináveis filas de espera por cirurgias e tratamentos especializados.

Para restringir os efeitos de sua desídia junto à opinião pública, o governador, espertamente, tratou de cooptar a classe política. Isso, está provado, ele saber fazer muito bem. Tanto que não se ouve no parlamento, seja nos níveis estadual ou federal, ou ainda nas reuniões partidárias, qualquer crítica à ausência de medidas oficiais efetivas, de curto, médio ou longo prazos, destinadas a superar as dificuldades.

Sem oposição a lhe morder os calcanhares, o governador e seus principais auxiliares insistem em fazer promessas como se acabassem de tomar posse dos cargos que ocupam. Promessas, muitas vezes, que nem mesmo existem no papel, quanto mais na vida real. E que têm algo em comum: jamais se cumprem.

Uma aberração, algo inconcebível numa democracia. A tal ponto chegou a situação que não foi mais possível à mídia fechar-se aos reclamos da sociedade. Repare o leitor como tem mudado o tratamento que a imprensa vem dando às questões mais cruciais da população.

O caos na saúde, por exemplo, ganhou o espaço que há muito vinha merecendo. E, embora ainda de maneira tímida, as matérias a respeito mostram que o governo patina, derrapa e não sai do lugar. Falta ainda, evidentemente, uma crítica contundente, de fundo editorial.

Mas isso é compreensível: a combatividade através de textos opinativos, de responsabilidade da direção dos veículos, não tem tradição na imprensa regional. Pode vir a ter um dia, se o governo se mantiver enclausurado na glorificação. Torçamos por isso. Afinal, os veículos de comunicação não vivem de brisa, são empresas que precisam de prestígio e apoio da população para merecer credibilidade e sobreviver economicamente.

De qualquer maneira, está ficando cada vez mais claro que o governador Paulo Hartung comanda um governo insensível ao presente e que, tal como um ilusionista de circo mambembe, tenta vender sonhos futuros impossíveis.