Com um grupo de estudantes de direito num trabalho voluntário, Jennifer partiu para Juneau, uma pequena cidade no estado de Wisconsin, para visitar uma cadeia. Não uma cadeia de presos comuns, os pequenos que roubam galinhas, nem os grandes que se especializam em grandes negociatas, se é que esses a gente vê enchendo cadeias.
Era uma cadeia exclusiva para imigrantes ilegais. A polícia não fica nas esquinas pedindo documentos aos passantes - Tudo bem, é legal, pode passar, Ah, um ilegal, direto pro camburão. Nada disto. Pode-se viver toda uma vida na América e nunca ser pego, se não cometer nenhum deslize. Mas uma simples transgressão de trânsito, e adeus cheques de pagamento em dólares.
Jennifer se juntou a uma ONG de Chicago, National Immigrant Justice Center, que dá assistência jurídica gratuita a imigrantes, refugiados, e pessoas que pedem asilo.
A cadeia de Juneau recebe ilegais de três estados, e lá estão 100 presos. A maioria é do México, mas há pessoas de El Salvador, Cuba, Palestina, Índia, Jamaica, Trinidade, e alguns países da África. Só não há brasileiros, pois não gostamos de lugares frios.
Todos foram entrevistados pelos estudantes. Muitos deles têm casa, família, emprego. Alguns têm ficha na polícia, mas a maioria cometeu apenas faltas leves, do tipo dirigir embriagado, ser pego sem carteira de motorista, ou por excesso de velocidade. Mas se até a herdeira Paris Hilton foi presa por dirigir sem carteira, por que não os imigrantes?
Em Chicago, advogados revisam os casos para decidir quem eles podem ajudar. Um mexicano que Jennifer entrevistou mora no país há 15 anos, tem 3 filhos, e foi pego por dirigir embriagado dois anos atrás. Na época foi liberado, depois de fazer um cursinho obrigatório de três meses, para "reaprender" a dirigir. Agora a imigração bateu na porta da casa dele no meio da noite.
Um jornal recentemente denunciou que imigrantes estão morrendo nas prisões, por falta de assistência médica. Sem dinheiro para pagar advogados, os presos ficam naquele limbo, esperando para serem deportados. Dias, meses, anos... Mas as fronteiras do país são extensas, e não existe tanta gente assim para vigiá-las. E a imigração sabe que eles vão voltar, e voltar, e voltar. Não há como estancar a invasão.
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