A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), após assistir à distância ao desenrolar catastrófico da crise no sistema de saúde pública, anunciou uma série de medidas para tentar conter o caos. Primeiro, decidiu incorporar o Instituto de Saúde Pública (Iesp) à Sesa. E, na última sexta-feira (20), instituiu o projeto de gestão incorporada Saúde Digital.
Com esse sistemam a saúde pública do Estado estaria conectada em rede, o que facilitaria o acesso aos dados do paciente pelo médico. Além disso, será criado um controle de custo para que a verba destinada à saúde não se perca. Para o gerente do projeto e funcionário da Auditoria Geral do Estado, Luiz Felipe Vilela, o grande trunfo do Saúde Digital é o sistema de auditoria, criado para evitar os problemas do setor.
Com o advento do Saúde Digital, o governo ambiciona ordenar o acesso da população aos serviços de saúde, melhorar os trabalhos assistenciais com o monitoramento permanente e um indicador de qualidade, a criação de um tele-medicina, redução de filas e óbitos decorrentes de longas esperas, agilidade no atendimento hospitalar e a criação do prontuário eletrônico.
O projeto, que está em fase embrionária desde o ano passado, ganhou corpo este ano. E a Sesa espera concluir a primeira fase de implementação até o final de 2007. "Este sistema permitirá uma melhoria no atendimento ao cidadão. A Sesa terá uma gestão integrada que facilitará o gerenciamento da saúde no estado", explica Luiz Felipe.
A implantação do Saúde Digital é uma das alternativas do governo do Estado para tentar conter a crise no SUS. Neste primeiro momento, recebem o sistema o Hospital São Lucas, a Central de Regulação, o Laboratório Central (Lacen) e a própria Sesa. "Com o sistema, todo o atendimento será colocado na rede, o prontuário será eletrônico e a cada consulta será atualizado. O projeto também facilitará o controle das verbas, dos exames realizados e a regulamentação de leitos e consultas. A saúde ficará interligada através da rede em todo o Estado", garante Luiz Felipe.
Além da Sesa, participam do Saúde Digital a Auditoria Geral do Estado, a Secretaria de Gestão e de Recursos Humanos e o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest). "Este é um sistema de ponta, que é utilizado nos melhores hospitais do País. Com ele, a Central de Regulação vai ser um dos setores mais beneficiados, pois vai otimizar a ocupação de leitos nos hospitais e o agendamento de consultas", prevê o coordenador do projeto.
De acordo com ele, os servidores já foram submetidos ao treinamento necessário para manusear a tecnologia, que deve ser replicado para o restante do Estado no início de 2008. A previsão da Sesa é otimista: a instalação do Saúde Digital deve melhorar substancialmente o acesso da população à saúde.
Enquanto o projeto não entra em vigor, o cidadão que precisa do SUS continua enfrentando dificuldades. Filas nas Unidades Básicas de Saúde, dificuldade de internação nas unidades de tratamento intensivo e adiamento da inauguração da Central de Especialidade Regional, em Jardim América. Entre tantos problemas, a população também sofre com a paralisação dos cirurgiões cardiovasculares. O contrato dos profissionais se encerrou em abril e não foi renovado, pois não houve acordo com o governo do Estado.
Para o Conselho Regional de Medicina (CRM), os médicos estão desobrigados de trabalhar por salários que não aceitam e responsabiliza o governo pela falta de atendimento à população. A Justiça Federal ameaça autuar o Estado para garantir as cirurgias.
A crise na saúde teve seu pior momento, no fim de junho, quando dois médicos denunciaram o governo do Estado na polícia devido à superlotação no Hospital São Lucas. Outro momento de tensão foi o anúncio de reajuste no salários dos médicos servidores do Estado. A imprensa noticiou como na ordem de 85%, quando na verdade era de 10%.
O fato causou confusão no sistema público de saúde, com servidores indignados em vista do descaso do governo. A crise obrigou a Sesa a se explicar aos servidores, através de nota nos jornais. Mesmo assim, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde não descartou a greve.
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