Para os moradores do edifício que desabou em Santa Isabel, distrito de Domingos Martins, na última sexta-feira (20), restou, além do entulho do que antes eram lares, a incerteza: 20 pessoas perderam todos os pertences no desabamento que matou duas pessoas e deixou marcas profundas na população. O próximo passo, de acordo com as autoridades, é entender as causas e indiciar os culpados.
"Estamos trabalhando para resolver o quanto antes. Já começamos a ouvir as testemunhas envolvidas no caso. As investigações devem levar cerca de 30 dias até a conclusão", afirmou o delegado responsável pelo inquérito policial, Paulo Roberto de Castro Batista. Segundo ele, a prioridade das investigações da polícia é descobrir as causas do desabamento.
O prédio, construído em 1989, tinha quatro pavimentos, dos quais o segundo e terceiro foram construídos em 2001. Informações do Corpo de Bombeiros indicam que o proprietário entrou com pedido de alvará para a construção dos últimos pavimentos e não obteve autorização. Mesmo assim, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) da engenheira Valéria Medeiros, a construção foi realizada.
A engenheira, através de seu advogado, Odilon Silveira, disse ter sido vítima de má-fé. De acordo com Odilon, Valéria prestava serviço para a Deseprol até 2000, e que alguém deve ter usado de forma fraudulenta a assinatura da engenheira para regularizar a obra.
Segundo Luís Fiorotti, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), a engenheira foi chamada para prestar esclarecimentos ao órgão. "Estamos averiguando os fatos. Inclusive fizemos uma reunião com a Câmara Especializada de Engenharia Civil para definir os procedimentos da investigação".
Fiorotti diz que é precipitado culpar Valéria pelo desastre, pois as investigações estão apenas começando e, mesmo que seja comprovada sua responsabilidade, ela tem direito a se defender assegurado por lei. "Vamos ouvir o que a profissional tem a dizer, consultar a ART e deliberar sobre o caso".
Enquanto isso, em Santa Isabel, as vítimas do desabamento permanecem em um clima de incerteza. Quatro dias após a tragédia, as famílias permanecem na casa de familiares, outros decidiram seguir para outros municípios. José Mendes, 50, que perdeu a mulher e o neto na tragédia, permanece em estado grave no São Lucas. E, se sair com vida do hospital, será acolhido por parentes.
"Três famílias estão sem lugar para ficar. A prefeitura está providenciando casas para abrigá-las e vai pagar aluguel por três meses, até que retomem suas vidas", explica a coordenadora da Defesa Civil de Domingos Martins, Vanilda Krueger Borloti. Além disso, a Secretaria de Ação Social do município está arrecadando roupas, móveis e utensílios domésticos.
Para Vanilda, as investigações estão correndo de maneira rápida, na medida do possível. E chama atenção para o fato de que o prédio em questão não apresentava rachaduras até o dia do desabamento. "A Defesa Civil realiza as fiscalizações por demanda e a vistoria no prédio foi feita pelo Crea-ES".
Luiz Fiorotti discorda de Vanilda, ressaltando o desconhecimento dos envolvidos no caso das atribuições do Crea-ES. "É importante esclarecer que o Crea-ES é responsável por fiscalizar o exercício da profissão. Algumas pessoas envolvidas no processo não têm o perfeito conhecimento do papel do conselho", afirma Fiorotti.
Serviço:
Doações para as vítimas em Santa Isabel
Contato: (27) 3268.3451/ 3414
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