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Foto: Divulgação
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| Inveja (2000)
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Uma outra construção temporal faz-se presente no próprio processo de produção dos trabalhos. Em
Pull, díptico contendo duas telas totalmente forradas, respectivamente, pelo papel dourado e prateado das embalagens de cigarro (todos com a inscrição que dá nome à obra), o tempo da execução da obra confunde-se com o desenrolar da vida do próprio artista: todos aqueles maços foram fumados, um a um, e os papéis metodicamente guardados para a confecção do trabalho. Ou seja, o trabalho é o fruto de uma longa reflexão antes do artista se lançar numa execução longa, detalhista, paciente, taurina - tão característica de sua relação com a pintura.
Os trabalhos da série
Inveja (três telas brancas com imagens, respectivamente, de um par de olhos, um coração e um pênis avantajado, sem preenchimento de cor, apenas os contornos das figuras e um tracejado ao redor, além do pequeno ícone de uma tesoura, remetendo às revistas infantis de recortar e colorir) transferem essa relação temporal para uma esfera pessoal, intimista. Apresentadas na coletiva
Se7e (Galeria Homero Massena, 2000), as telas apresentam uma concepção
clean da inveja, diga-se de passagem: não só as telas brancas com o traçado preto, mas também as molduras em alumínio, desenvolvidas pelo artista (afinal, a pesquisa de material é herança do trabalho como cenógrafo) para que não fosse necessária nenhuma trava ou suporte de madeira - um trabalho totalmente lavável, para sempre parecer novo, tal qual o pecado capital que retrata.
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Foto: Divulgação
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| Arcada (2000)
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Um outro trabalho, inspirado nessa série, explicita esse percurso: trata-se de
Arcada, em que um mapa da arcada dentária, tal qual os das fichas de paciente nos consultórios odontológicos tem alguns dos dentes estrategicamente destacados pelo mesmo tracejado das telas anteriores, remetendo à experiência pessoal do artista em tratamentos odontológicos, no decorrer de sua vida. Não por acaso,
Arcada foi apresentado na coletiva
Eu, dentro do projeto
Quanto mais arte melhor, no Centro de Artes da Ufes (2000).
Se, nos trabalhos até aqui apresentados, o "desenho de observação" dá a tônica, em sua produção mais recente Júlio Schmidt dá espaço para criações mais livres, pela primeira vez sem a necessidade de um objeto que sirva de referencial prévio.
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Foto: Divulgação
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| Laboratório (2006)
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A série
Laboratório, iniciada em 2004, consiste em postais no tamanho 10 x 15 cm, contendo desenhos aquarelados de pipetas, buretas, bicos de bunsen, vidrarias (tubos de ensaio, kitasatos, beckers, erlenmayers, balões, provetas), funis, cadinhos contendo diversas substâncias manipuláveis, máquinas mirabolantes e outros elementos oriundos do universo químico, totalmente imaginados no exato momento em que o trabalho é executado. Em 2006, a série seria reeditada, desta vez em pequenas telas pintadas com tinta acrílica, interligadas por pequenas mangueiras plásticas, conectadas a plugs inseridos nas laterais de cada tela, como se fossem prolongamentos das tubulações existentes em cada figura. Ao traço muitas vezes difuso, quase esboço, das figuras, agrega-se um emaranhado de conexões, numa interessante metáfora da memória, a mesma memória a partir da qual Júlio obtém a matéria prima de uma nova poética que promete nortear seu trabalho futuro.
E-mails para o colunista: erlyvieirajr@hotmail.com
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