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Foto: Divulgação
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| Mirante
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A vida cultural da Grande Vitória - Gran Vix - está longe de ser a ideal. É fato e é até clichê falar que falta muita coisa, de formação de público a espaços que realmente instigue as pessoas a pensar. A situação não é pior por causa de poucas alternativas como é o caso do Museu Ferroviário. Semestralmente, o museu promove alguma atividade/exposição que dá até para imaginar que somos finalmente uma metrópole e não uma província.
Que fique claro duas coisas: primeiro, elogiar o trabalho do museu aqui é uma constatação e não uma forma de receber convites para as vernissages - que são disputadíssimas; segundo, criticar o provincianismo capixaba é mais que uma crítica gratuita - uma modinha em rodinhas (pseudo) cult - é ter ciência da realidade da cidade em que vive e não se conformar com ela, seja como cidadão, seja como mídia.
Voltando ao assunto principal: exposição do Museu Ferroviário. Nesta quinta-feira (26), será aberta ao público convidado a instalação
Ficções, da artista gaúcha Regina Silveira. A exposição é composta com três obras -
Mirante,
Entrecéu, e
Mil e Um Dias - que dialogam com a arquitetura do museu. Aliás, essa é uma característica do Museu Ferroviário é constante o diálogo entre as obras e o espaço.
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Foto: Divulgação
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| Entrecéu
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Antes, de falar um pouco mais das obras, vamos à artista. Regina Silveira é uma das artistas brasileiras de renome internacional - é verbete no
Wikipedia e tudo. Começou a carreira ainda em Porto Alegre, trabalhando com pintura e gravura com artistas como Iberê Camargo. Também fez parte do quadro de professores da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
De volta às obras de
Ficções. Sem muitos detalhes já que obra de arte sempre tem que ser sentida, o discurso a gente constrói depois. Só uma noção básica: a primeira passagem é a obra
Mirante, um poço negro numa sala escura onde está contido o cosmos. Uma esfera abaixo do chão, iluminada por um feixe de luz, sobre a qual o observador se debruça e vê o planeta do alto, em movimento, promovendo um olhar contemplativo e instigante.
O segundo momento é
Entrecéu, onde o diálogo obra-público-museu se materializa, através de um gigantesco túnel celeste, amplo e coletivo, que toma conta da nave principal do galpão de exposições. Do teto ao chão. Na terceira passagem -
Mil e Um Dias - o espectador sai do espaço e volta para o tempo. Uma porta falsa, idêntica à porta de entrada do
Mirante, uma projeção de quatro minutos alterna imagens de dias e noites. A luminosidade do dia sai da porta e inunda a parede lateral; a noite some, tragada pela mesma porta. E volta o dia. Com ele, sons de vento, de crianças; com a noite, o barulho dos grilos.
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Foto: Divulgação
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| Mil e Um Dias
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Ficções é a terceira obra da trilogia que Regina Silveira iniciou com duas outras exposições,
Claraluz (CCBB - São Paulo, 2003) e
Lúmen, (Palácio de Cristal - Madri, 2005). Todas as três obras têm como característica a vinculação com a arquitetura dos espaços de exposição.
Ainda fazem parte da exposição seis maquetes:
Todas las Noches,
Desapariencia,
Gol Supersônico,
Duplo,
Paving the Way e
Lúmen. Os trabalhos são uma espécie de poemas-objeto que congregam às suas propriedades físicas toda a poética da artista, mostrando os diversos cenários das situações que ela levanta nas suas obras. Dá para ruminar bastante com essa exposição, assim que é bom. Então, agora antes de reclamar mais sobre a realidade do circuito cultural da Gran Vix, que tal dar uma passadinha em
Ficções?
Serviço
A abertura da exposição
Ficções, de Regina Silveira será nesta quinta-feira (26), as às 20h30, para convidados, no Museu Vale do Rio Doce (antiga Estação Pedro Nolasco), s/n, Argolas, Vila Velha. A mostra será aberta ao público a partir de sexta-feira (27). As visitas podem ser feitas de terça a domingo, das 10h às 18h, e às sextas-feiras, das 12h às 20h, até o dia 27 de setembro. Entrada Franca. Informações: (27) 3333-2484.
Saiba mais!
Clique aqui e visite o site de Regina Silveira.
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