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Foto: Divulgação
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Aberta desde 20 de abril, a exposição
Arte para Crianças foi totalmente idealizada para o público infantil: integra artes visuais, música, literatura, cinema e tecnologia, e traz obras de destacados artistas da cena contemporânea, como Eduardo Sued, Ernesto Neto, Mariana Manhães, Rubem Grilo, Tunga, Eder Santos, e ainda Yoko Ono e Lawrence Weiner, papa da arte conceitual americana dos anos 1970.
Também integrarão a exposição obras do grande escultor Amílcar de Castro (1920-2002): 20 conjuntos inéditos de cinco esculturas em madeira canela de pequenas dimensões (1997/99); um conjunto com 140 esculturas em aço corten com altura média de 30cm e uma escultura, também em aço corten, de 2,40m.
Com curadoria de Evandro Salles,
Arte para Crianças proporciona uma imersão dinâmica no universo da arte contemporânea mais avançada, pois foi desenhada e produzida para crianças, com arquitetura e design criados especialmente para proporcionar a melhor aproximação possível entre a arte e o seu universo. Mas, apesar do foco específico, poderá ser usufruída por pessoas de qualquer idade.
A idéia que norteia a exposição parte do conceito de que é a na infância o momento em que o aparato de linguagem está em formação, e pronto para incorporar conhecimento. Da mesma forma, arte é linguagem em construção, e, portanto, a infância contém as condições ideais para o usufruto pleno da arte, sem barreiras ou preconceitos.
A exposição não terá, entretanto, um caráter didático nem reducionista. "Não se buscará 'explicar' a arte dos adultos às crianças, mas levá-las diretamente à experiência estética, a vivenciar a relação estética por meio de objetos artísticos que proporcionem essa aproximação", afirma Evandro Salles.
A mostra apresentará obras em diferentes linguagens e interações entre artes visuais, literatura e música, articuladas através de aparato tecnológico multimídia típico do universo artístico contemporâneo. Foram produzidas especialmente para a exposição as vídeo-histórias
Histórias do Dedão do Pé do Fim do Mundo (2007), com poemas de Manoel de Barros (1916, Cuiabá, MT), roteirizados pela escritora e atriz Bianca Ramoneda, com desenhos de Evandro Salles e direção de arte de Marcia Roth, e
Xifópagas Capilares Entre Nós (2007), dirigida por Evandro Salles, baseada em obra de Tunga.
Artistas
Amilcar de Castro (Paraisópolis, Minas Gerais, 1920 - Belo Horizonte, 2002) O processo simples de corte e dobra que estrutura a obra de um dos maiores escultores brasileiros de todos os tempos, vai ser mostrado em toda a sua grandeza. Poderá ser visto um conjunto de 140 esculturas em aço, apresentadas no tamanho de quando projetadas pelo artista - aproximadamente 30 cm de altura. Ao lado será colocada uma grande escultura de 2,40 metros de altura, tamanho final de uma das obras. Outro grupo de obras inéditas de Amilcar será composto de esculturas em madeira, que serão apresentadas sobre mesas, onde poderão ser manipuladas pelo público.
Eder Santos (Belo Horizonte, 1960).
Serão apresentadas duas videoinstalações de Eder, um dos mais importantes artistas brasileiros entre os que se dedicam ao vídeo, ambas produzidas em 2006:
Baixa Pressão e
Chamada em Espera. As duas obras tratam das relações entre realidade e ilusão no âmbito da imagem e usam projeções de vídeo mescladas com o uso de objetos reais, criando superposições ilusórias.
Eduardo Sued (Rio de Janeiro, 1925).
A Nave e o Imaginário é o título da obra de Sued feita especialmente para a exposição. A idéia do artista de proporcionar um mergulho no universo da cor se materializa em uma estrutura que ele denominou de Luz-Cor, um grande cubo penetrável de 3 metros de altura, cobertos - o cubo e a sala - por tecidos de diversas cores e estampas e papéis coloridos. Esta é uma das raras instalações criadas pelo pintor.
Ernesto Neto (Rio de Janeiro, 1964).
Uni Verso Bebê II Lab é uma obra inédita, especialmente adaptada para a mostra. É uma grande escultura de pano na qual se pode entrar e em cujo interior o espectador encontra diversos objetos/formas com os quais pode interagir. Reúne em sua elaboração uma série de questões relativas à linguagem visual: luz, cor, forma, interação com o público.
Lawrence Weiner (Nova York, 1942)
Um dos artistas norte-americanos que marcaram o conceitualismo dos anos 70, Weiner tem como matéria prima a linguagem. Fez um trabalho em português especialmente para a exposição: uma equação dialético-lúdica.
Mariana Manhães (Niterói, Rio de Janeiro, 1977).
Apresenta dois trabalhos na exposição:
Buliçosos, de 2007, ainda inédito, e
Palindrômicos, de 2006. Mariana é uma jovem artista carioca que trabalha com meios eletrônicos e vídeo e constrói máquinas movidas através de circuitos digitais especialmente projetados para seus trabalhos. Essas máquinas tomam a aparência de coisas vivas, com movimentos inusitados e vozes veiculadas através de vídeos que aparecem em pequenos monitores de TV agregados às máquinas. São verdadeiros aparatos eletrônicos de magia e encanto.
Rubem Grilo (Pouso Alegre, Minas Gerais, 1946).
381 obras do conjunto de gravuras denominado
Arte Menor serão apresentadas em sala com teto rebaixado, na altura dos olhos das crianças. Rubem Grillo, o maior xilogravador brasileiro da atualidade, produziu mais de mil gravuras de tamanho mínimo, de até 10cm, configurando um mundo infinito de personagens, reflexões plásticas, filosóficas e líricas. Toda a aproximação e intimidade possíveis serão proporcionadas para a observação desses pequenos poemas visuais. Em meio a essa enorme quantidade de pequenas gravuras emolduradas, um diminuto monitor de tevê, também emoldurado como se fosse um quadro, passará uma videoanimação elaborada com algumas imagens criadas pelo artista.
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Foto: Divulgação
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Tunga (Palmares, Pernambuco, 1952).
A obra se chama
Lezarts III e é constituída por um grande conjunto escultórico e uma performance, realizada por duas gêmeas unidas por uma longa cabeleira. É uma obra estruturada a partir de uma forte manipulação de simbologias do inconsciente. Trabalha com uma escala desproporcional de objetos como pentes e fios de cabelo feitos em aço e cobre. Especialmente para a exposição, foi realizado o vídeo
Xifópagas Capilares Entre Nós (2007), dirigido por Evandro Salles, baseado em obra de Tunga que trata da história de duas gêmeas xifópagas que nasceram unidas pelos cabelos.
Yoko Ono (Tóquio, 1933).
Uma das pioneiras da arte participativa nas vanguardas dos anos 1960, a original atuação de Yoko Ono, ligada ao radical movimento Fluxus dirigido por Georges Maciunas, se inicia com a integração das diversas linguagens artísticas - poesia, artes plásticas, música e performance - numa ação poética integral. Ono também desenvolveu atividade pioneira, ao lado de Nam June Paik, no uso da televisão como meio de linguagem artística. Serão apresentados quatro trabalhos dela que propõem, de maneiras distintas, uma participação do observador e apenas ganham sentido com uma verdadeira interação do espectador em sua estrutura.
Serviço
A exposição
Arte para Crianças permance no Museu Vale do Rio Doce até o dia 20 e junho. Visitação de terça a domingo, das 10h às 18h; sextas-feiras, das 12h às 20h. O museu fica na Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n, Argolas, Vila Velha. Informações (27) 3333-2484. Entrada franca.
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