("O sonho sem realidade não tem valor nenhum. Nós vivemos na realidade. Mas, para agüentar o peso da vida, é preciso sonhar". Abbas Kiarostami)
Ele é ex-empresário, ex-casado e ex-estressado. Nestor Oliveira, aos 43 anos, decidiu dar uma guinada na sua vida. "Meu quadro de saúde era gravíssimo. Todas as minhas taxas eram altas: pressão, diabetes, triglicérides etc. Estava na reta final mesmo. Amigos médicos me alertaram para que eu cuidasse com urgência da minha saúde, fizesse, por exemplo, uma atividade física leve. Foi nessa época que conheci a terapia do Lian Gong. Daí pra frente, minha vida mudou".
O paulista de Cândido Rodrigues, que já é avô e pai de três filhos, vendeu a empresa, investiu o dinheiro em imóveis para garantir mais cedo sua aposentaria e resolveu se dedicar de corpo e alma à técnica de origem chinesa. Há mais de 14 anos ele dá aulas de Lian Gong e capacita multiplicadores para que possam, assim como ele, de maneira voluntária, levar a terapia para o maior número de pessoas possível.
Confira a seguir a entrevista de Nestor e conheça um pouco mais da história de vida dele e o sucesso da terapia Lian Gong.
Século Diário: - O que é a terapia Lian Gong?
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Foto de: José Rabelo
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Nestor de Oliveira: - O nome completo da técnica é Lian Gong em 18 Terapias. A terapia tem como objetivo prevenir, tratar, fortalecer, harmonizar e humanizar o praticante. A técnica foi desenvolvida na China pelo médico ortopedista Zhuang Yuen Ming, como resposta ao crescente número de patologias que vem surgindo nas grandes cidades. O Lian Gong é baseado no Tui, na milenar arte fisioterápica e tradição das atividades corporais chinesas. O Lian Gong também está fundamentado nos 16 pontos da acupuntura. A técnica é capaz de atuar no corpo todo, sincronizando movimento e respiração. O importante é esclarecer que o Lian Gong combina alongamento e tração que é controlada pelo próprio praticante, agindo de forma suave no sistema circulatório e articular. Por isso, é uma técnica bastante recomendada para pessoas mais velhas.
- Quais são as principais melhoras que a pessoa sente ao praticar o Lian Gong?
- De maneira geral, a pessoa se sente mais relaxada. A técnica combate os sintomas do estresse, ansiedade, irritabilidade. Com os exercícios o indivíduo respira melhor, sente mais disposição, melhora o humor, come melhor (de maneira mais saudável), dorme melhor, enfim, há uma melhora geral na qualidade de vida da pessoa.
- O Lian Gong segue alguma linha filosófica ou a terapia é só uma técnica voltada para o corpo?
- Não, o Lian Gong não está ligado a nenhuma seita, religião ou preceito filosófico.
- Há alguma semelhança do Lian Gong com o Tai Chi Chuan?
- Eu costumo explicar para os alunos o seguinte: na educação você tem o ensino fundamental, o médio e o superior. O Tai Chi equivale ao ensino superior, ou seja, é um nível mais avançado. Já o Lian Gong é uma técnica menos complexa, mais indicada para iniciantes. O aluno observa o movimento do monitor e repete. Uma aula dura 32 minutos. São três séries de 18 movimentos cada. Ao todo são 54 movimentos que atingem todos os pontos do seu corpo. Por isso o nome Lian Gong 18 Terapias.
- Como o senhor conheceu o Lian Gong?
- Atualmente, estou com 60 anos. Isso aconteceu quando eu tinha 43 anos. Eu tinha um quadro de saúde gravíssimo. Na época, eu era um empresário, com toda aquela pressão, estresse, correria. Tinha pressão alta, diabetes descontrolado, triglicérides altíssimo, enfim, eu estava muito mal. Esse quadro de saúde estava me levando para a reta final. Alguns amigos médicos me aconselharam a fazer uma ginástica leve. Mesmo porque eu não podia fazer nem uma atividade física mais forte. Eu era totalmente sedentário. Comecei, inicialmente, com o Tai Chi Chuan. Dois anos depois chegou essa nova terapia no Brasil. Uma professora da Unicamp (Universidade de Campinas, São Paulo), Lúcia Lee, em visita à China, conheceu a terapia e, chegando aqui, fundou a Associação Paulista de Lian Gong. Logo depois, ela trouxe para o Brasil o dr. Zhuang, criador da técnica, para ministrar um curso em São Paulo. Eu tive a chance de fazer algumas aulas com o dr. Zhuang. A partir daí, comecei a me interessar cada vez mais pela terapia.
- Quais foram as transformações que a terapia casou em sua vida?
- A importância da terapia na minha vida passou a ser muito grande. Nessa época, eu já conhecia bem a técnica e comecei a ser requisitado para dar aulas. Então, resolvi, aos poucos, abandonar minha atividade de empresário para me dedicar exclusivamente ao Lian Gong.
- Como foi essa ruptura? Qual foi a reação de familiares e amigos quando o senhor decidiu abandonar tudo?
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Foto de: José Rabelo
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- Houve uma mudança violenta na minha vida em todos os sentidos. Mas essa mudança não ocorreu do dia pra noite. Esse processo durou cerca de quatro anos. Passei a me preocupar em ter uma alimentação mais saudável, à base de vegetais. Minha família e amigos, no início, disseram que eu estava entrando num processo de loucura. Eles não aceitavam essa mudança de decidir abrir mão de tudo.
- Como o senhor lidou com isso, ou seja, o que o senhor fez para convencer as pessoas de que sua escolha era consciente?
- Eu percebi que durante minha vida só havia feito coisas para os outros, nunca pensava em mim. Então, passei a pensar mais em mim. A terapia começou a me trazer uma melhora, mas foi um processo lento. Nesse momento, notei que era preciso parar de vez com a minha atividade profissional e passar a me dedicar exclusivamente ao Lian Gong.