Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Trabalhar com alegria é a sua marca
Realizar sonhos, seu maior prazer





Cristina Moura


A vida está sempre ocupada em se reproduzir e em se aperfeiçoar.


(Simone de Beauvoir)

Pode-se dizer que existem pessoas especializadas em proporcionar a realização de sonhos. Especializadas não só por vontade, mas por formação profissional. Nossa entrevistada deste final de semana é uma representante da categoria, chamando-se, com satisfação, de cerimonialista.

Formada em Artes na sua cidade natal, Juiz de Fora, Minas Gerais, Vera acreditou desde cedo na sua potencialidade em realizar eventos. Começou como produtora de eventos de uma empresa; em seguida, viveu sua maior e mais rica experiência em produzir, organizar e participar: a cerimônia do seu casamento.

Com a prática nas mãos e morando em Vitória, organizou seu escritório para, como ela mesma diz, "realizar sonhos". Os mais pedidos são os de casamento e aniversário de 15 anos, variando de preço, entre R$ 1,5 mil a R$ 500,00. Dependendo do pacote, há carro para buscar os noivos, deixar os noivos no hotel, bem como a sintonia com cabeleireiros, maquiadores, garçons, manobristas, músicos, seguranças, recepcionistas e todo o aparato cênico que seja agradável aos clientes.

Apesar do requinte das festas, com noiva chegando até de helicóptero para receber as bênçãos divinas, por exemplo, o que não falta é penetra. Há várias turmas especializadas invadir as festas, levando até presente para o aniversariante então desconhecido. Também nessas horas de saia justa, a Tia Vera, como é conhecida nas turmas de penetras, tem que resolver e mostrar serviço. Vamos saber mais detalhes sobre a cerimonialista e a sua arte de transformar sonho em realidade.


Século Diário: - Como é o dia-a-dia de uma cerimonialista?

  
Foto de: Ricardo Medeiros
  
Vera Novaes: - Aqui, no Espírito Santo, o cerimonialista pode estar fazendo tanto a recepção na igreja quanto na casa de festa, como a organização geral do casamento. Seriam as contratações de prestadores de serviço, decorador, fotógrafo, músicos, doce, bolo, mesa de saída, hotéis para noite de núpcias, receptivo para os convidados, enfim... Temos que estar apresentando para o cliente, o casal, toda a produção do evento, com mais de uma opção, de duas a três opções. Quando é na parte de comida, há degustação de tudo o que vai ser servido nesse casamento, nessa festa. Quanto à produção de roupas, do vestiário, da noiva, do noivo. Eu faço a agenda do meu cliente. Ele fala a disponibilidade dele de dia, horário, tudo. Em cima disso, em agendo com as pessoas que serão os futuros prestadores de serviço e acompanho, negocio preço, negocio valores, sabores, tudo o que for necessário.

- Por que você se interessou por esse ramo?

- Eu sempre gostei de festa. Nasci em Minas e vim morar no Espírito Santo há vinte anos. Tanto gostei de festa... a começar pela minha cerimônia de casamento. Fui eu que fiz... (risos) Organizei tudo do meu próprio casamento, casei muito nova. Na época, eu já era promotora de eventos da Coca-Cola de Juiz de Fora. Com vinte anos, eu já era produtora!... (risos) Passei vinte anos criando filho, sendo dona de casa mesmo. Comecei a trabalhar com um amigo, depois que meus filhos já estavam grandes, sem que precisassem de alguém para buscar e deixar, comecei a trabalhar e meu amigo percebeu que minha área seria mais a da comunicação. Fui para a Secom (Secretaria de Estado de Comunicação), me dei bem, conheci muita gente, fui chamada para trabalhar na TV Vitória, com Wesley Satler, fazendo eventos. Comecei a fazer eventos empresariais também. Do primeiro casamento que fiz, nunca mais parei de fazer.
  
Foto de: Ricardo Medeiros
  
Uma noiva passa para a outra e, geralmente, quem vai em casamento, são noivos. Os amigos são todos noivos, ou vão se casar ou casaram-se recentemente. E gostam e vão me contratando. Estou com a agenda de 2007 lotada. Tenho dois ou três finais de semana livres durante o ano. Dois ou três, o resto está agendado. Tiro sempre um descanso em fevereiro, que é sempre um mês atípico para casamento, tem carnaval, o pessoal voltando de férias... Não é um mês que se contrata muito para casamento. Fevereiro é o mês que eu reservo para as minhas coisas, particulares. O resto é sempre festa, sextas-feiras e sábados. Tenho feito muito 15 anos também. A garotada vai um, começa a gostar e começa a contratar para as festas seguintes.
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