"Um grama de ação vale uma tonelada de teoria."
(Friedrich Engels)
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Foto de: Ricardo Medeiros
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Acupunturista, gastroenterologista e com uma porção de idéias para contribuir no esforço de desenvolvimento do Espírito Santo: nosso entrevistado desta semana, o ex-deputado federal, ex-prefeito de Vitória e ex-governador do Estado Vítor Buaiz não pretende voltar à política partidária, ou seja, não cogita de um novo mandato eletivo.
Mas ele considera importante participar, independentemente de partido ou vocação política. Só não está encontrando espaço para dar sua colaboração. Nesta entrevista, Vítor Buaiz detalha as atividades que desenvolveu e que lhe permitiram influir nos movimentos populares, transformando a sua atividade profissional em missão de homem público. Em virtude desta última, a primeira foi sacrificada.
Para Vitor Buaiz, as inúmeras implicações políticas motivadas pelo período ditatorial brasileiro foram duras. O ex-governador, depois de haver experimentado a prisão e a violência moral, teve a solidariedade da Igreja católica e de outros segmentos.
A atividade política, profundamente ligada à luta por liberdade e democracia, fez com que nascesse no jovem médico a vontade de influir nos destinos do Espírito Santo. Buaiz diz que procurou fazer o que cabia à sua geração fazer. E fez o que deveria ser feito, apesar de lamentar um pouco sobre o que não conseguiu. Para ele, neste momento, uma iniciativa positiva para o Estado seria a criação de um fórum permanente de ex-governadores.
Século Diário: - Como foi que o senhor se interessou pela política?
Vítor Buaiz: - Bom, a minha entrada na política se deu diante de um contexto histórico. Minha geração acompanhou os fatos mais importantes da segunda metade do século XX. Nos anos setenta, eu estava nos bancos escolares, dentro da universidade. Nos anos sessenta, antes do golpe militar, os movimentos sociais se organizaram pelas ruas para pedir reformas de base. O Brasil sofreu uma espécie de convulsão social com a renúncia de Jânio Quadros. Depois, com o golpe militar. Então, eu comecei a minha militância política dentro da Faculdade de Medicina como secretário geral do Diretório Acadêmico. Mas minha militância começou com a minha eleição para a presidência do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo. Isso já foi em 1979. Logo depois do golpe militar, eu tive uma participação política dentro do movimento estudantil, mas já como professor da universidade. Eu me formei em 1977 e tinha muitos amigos que eram do Diretório Acadêmico e que eram filiados ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). Em função disso, dessa minha relação próxima a um trabalho comunitário que eu fazia em Cariacica, é que fui preso em 1972.
- Qual era o caráter do trabalho comunitário?
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Foto de: Ricardo Medeiros
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- Atendimento médico, social. Eu fazia atendimento médico e minha mulher, que é assistente social, fazia um trabalho também com aquela comunidade. Juntamente com um casal, ele estudante de Direito e ela assistente social. Só que ele era filiado ao PCdoB. Quando em 1972, caíram todos os aparelhos, o PCdoB... Aí veio uma ditadura mais forte. Todos esses militantes do PCdoB foram presos, inclusive eu, pelo fato de ser professor de alunos comunistas e por estar trabalhando numa comunidade na qual muitos participantes também pertenciam ao PCdoB.
- Como foi a experiência na prisão?
- É, a experiência na prisão nunca é agradável, por menos que você sofra agressões físicas. É claro que, moralmente... Aquele momento era um momento crítico da ditadura. Dezenas de jovens estavam sendo procurados, assassinados, e você nunca sabia o que ia acontecer. Era um clima de insegurança máximo e tivemos que suportar aquela situação. Alguns daqueles trabalhadores foram torturados.
- O senhor ficou preso quanto tempo?
- Quase dois meses lá, no quartel do 28º BI, em Vila Velha.
- Em dois meses já deu para sentir.
- Em duas semanas, sem receber visita.