Sindicato não é milícia




Caetano Roque da Silva


Surge um movimento forte para tirar a Aracruz Celulose de dentro do sindicato, já que essa diretoria que se encontra hoje no Sindcel é pró- empresa. Já esteve envolvida no ataque aos índios por ocasião da ocupação do porto.

A resistência, denominada "Nosso Papel", começa cobrando da atual diretoria prestação de contas de R$ 1,5 milhão. Quando se questiona esse R$ 1,5 milhão, é necessário saber a sua origem. E também saber de onde veio esse dinheiro.

Não digo aqui que o dinheiro foi surrupiado. Mas o mistério deixa a suspeita quanto à sua origem e à falta de prestação de contas. Mas o caso do R$ 1,5 milhão é café pequeno diante da posição servil da atual diretoria do sindicato à Aracruz Celulose.

Quando os trabalhadores entregam sua entidade ao patronato, renunciam à sua integridade política. É o que está acontecendo com o Sindcel. É o mais grave momento desse sindicato, entregar sua direção à empresa e servir para desempenhar papel de milícia, como ocorreu a violência praticada em cima dos índios.

Quando o sindicato cruza os braços diante da terceirização da mão-de-obra, está silenciando-se numa tentativa clara de acabar com a própria categoria. Avilta os salários e intimida a categoria, porque ela não tem a quem recorrer. O sindicato está na jogada. Só dá Aracruz.

O movimento "Nosso Papel" tem que ir para dentro do sindicato para colocá-lo nos trilhos. Na defesa da categoria contra a terceirização e para separar os interesses dos trabalhadores dos interesses da empresa.

É obrigação dos trabalhadores conscientes buscar enquadrar o seu sindicato. Quero aplaudir a iniciativa desse movimento porque o rumo que a atual diretoria do Sindcel imprimiu à categoria é suicida.

Onde já se viu entregar o sindicato ao patrão? A troco de quê? Tratando-se de Aracruz Celulose, ela só faltava tomar conta do sindicato, que é a representação dos trabalhadores. Do resto ela já tomou. A classe política está a serviço dela e o governo do Estado não levanta o dedo para conter as regalias econômicas e ambientais de que ela desfruta no Estado.

Mas sindicato de trabalhador não, pelo amor de Deus! "Nosso Papel" neles.