Samba de uma única nota




Ninguém tem dúvida de que o governo Paulo Hartung obteve êxitos marcantes nos quatro anos de seu mandato. Estão aí as contas públicas equilibradas, os vencimentos do funcionalismo sendo quitados em dia, a economia e a arrecadação tributária crescendo.

Mas, convenhamos, ele falhou - e falhou feio - em áreas de grande interesse da população. Segurança, Saúde, Educação e Meio Ambiente, por exemplo, foram áreas em que não se avançou um milímetro nos quatro anos do primeiro governo Hartung.

Tais falhas, se fossem cobradas, não significariam dizer que o governo Hartung é ruim. O significado da cobrança - se houvesse cobrança- seria outro. Visaria a uma correção de rumos nos setores carentes de iniciativas e investimentos.

E mais uma vez se perdeu a oportunidade de cobrar mais ação do governo para impedir que cidadãos sejam assaltados ou mortos, em nossas ruas e até em suas casas, por bandidos que a polícia não tem condições de combater por falta de pessoal e meios dignos de trabalho.

Cobrar mais atenção à saúde da população seria dar uma resposta às pessoas que padecem nos corredores dos hospitais à espera de atendimento. E são milhares delas, todos os dias, penando por falta de médicos, pessoal de apoio e vagas nos hospitais.

Vai bem a educação pública? Claro que não. O professorado está insatisfeito, por causa de salários defasados e do desinteresse do governo em cuidar de aprimorá-lo e abrir espaço para o seu crescimento profissional.

O meio ambiente é um total descalabro. Alguém seria capaz de dizer quais são as diretrizes do governo para o setor? Duvidamos. O que se vê é a amais criminosa omissão oficial em relação aos danos provocados pelas grandes poluidoras.

E o setor de saneamento básico, vimos outro dia, não melhorou em nada em função do chamado projeto Águas Limpas. Aliás, nem mesmo capacidade de gastar o governo demonstrou, pois, dispondo de R$ 150 milhões da Caixa Econômica e do BNDES, nada fez de significativo para mudar o caótico quadro do esgotamento sanitário na Grande Vitória.

Diante de uma situação assim, verdadeiramente calamitosa, nenhuma voz se levantou na Assembléia para questionar o governador em seu discurso de prestação de contas. Foi um dia praticamente inteiro de bajulações e manifestações explícitas de subserviência. Das 10 horas da manhã ao meio da tarde, o que se viu no plenário da Assembléia foi deprimente.

Um governador bem dotado no uso das palavras, desfilando seu legado de realizações em algumas áreas e se omitindo matreiramente sobre suas falhas em outras. Mais uma vez, Paulo Hartung levou todo mundo na conversa.

Uma conversa, diga-se a bem da verdade, que já está cansando, pois virou samba de uma nota só.