Vitória (ES), edição de 16 de março de 2007

Hartung gasta mais de uma hora
para prestar contas, mas só se repete



Nerter Samora
Fotos capa: Ricardo Medeiros

Foto de: Ricardo Medeiros

O governador Paulo Hartung (PMDB/foto), em sua prestação de contas, nesta sexta-feira (16), foi cercado de todos os privilégios na Assembléia Legislativa, a ponto de ter discursado uma hora e doze minutos, quando regimentalmente deveria ter prestado contas em apenas trinta minutos. Mas, apesar disso, ele não inovou: repetiu o discurso que vem fazendo ao longo dos seus quatro anos de governo.

Foram destaques em seu discurso os temas de sempre - a recuperação econômica, a luta contra o crime organizado e a moralização política e institucional, a qual ele diz ter implantado no Estado.

A platéia, composta de parlamentares, prefeitos e vereadores, que inclusive compuseram a Mesa que presidiu os trabalhos. Estavam lá o vice-governador, Ricardo Ferraço; a procuradora-geral de Justiça, Catarina Cecin Gazele; um representante da bancada federal, senador Gerson Camata (PMDB); um representante do secretariado, Maurício Ribeiro (Esportes); um representante dos prefeitos (que surpreendentemente não foi o presidente da Associação de Prefeitos, Guerino Balestrassi, mas sim o prefeito de Itapemirim, Roberto Valadão, do PMDB, desafeto declarado do deputado estadual Theodorico Ferraço, que rompeu nesta semana com Hartung), e um representante dos vereadores, Sandro Locutor (PTC).

Foto de: Ricardo Medeiros
Entre os prefeitos, uma presença chamou a atenção: Max Filho, de Vila Velha, que acompanhou a fala do governador no plenário e assistiu de perto à assinatura da ordem de serviço das obras no Canal Bigossi, em seu município. A bancada federal foi representada pelos deputados Rita Camata (PMDB), Neucimar Fraga (PR) e Carlos Manato (PDT); dos deputados estaduais, a única ausência foi a do deputado Theodorico Ferraço.

O governo projetou para os próximos quatro anos, no entender, de economistas que também acompanhavam a sua fala, que os seus projetos terão caráter municipalista, já que Hartung passou o tempo todo falando em obras e repasses de verbas para os municípios, o que está de acordo com o seu planejamento estratégico para as próximas eleições.

No momento das perguntas de parlamentares, o governador ficou bastante à vontade, já que em nenhum momento foi incomodado com questionamentos sobre algumas áreas sensíveis de seu governo, como a questão da segurança e do meio ambiente.

Sobre segurança pública, Hartung não se lembrou do caos instalado no Estado, e fez citações a matérias de um crime em Nova York e do aumento dos índices de violência nas cidades americanas, tentando justificar o mau andamento das políticas públicas de segurança como um problema mundial.

Foto de: Ricardo Medeiros
E em relação ao meio ambiente, o governador disse tratar-se de outro grande problema mundial, e citou a tragédia do aquecimento global, esquecendo-se das grandes empresas poluidoras instaladas no Estado, que causaram prejuízos à sociedade que chegam a R$ 4,4 bilhões de custas hospitalares.

Enquanto isso, nas galerias, nenhuma movimentação de manifestantes, tampouco de apoiadores - que em pequeno número acompanharam apenas o começo da longa fala de Hartung. Já nos corredores próximos ao plenário, uma intensa movimentação de autoridades - civis e militares - e de servidores dos três poderes, todos na expectativa de um contato com o governador.