Os militares saíram angustiados e os policiais civis, simplesmente frustrados, da primeira reunião de negociação com o governo do Estado para discutir os salários escalonados das categorias. A reunião com a Polícia Civil foi a última da semana. O governo levou três horas para explicar que pretende trocar as gratificações dos policiais pelo subsídio que é previsto na Constituição Federal.
A reunião, que começou às 16 horas desta quinta-feira (15), no palácio da Fonte Grande, na Rua 7 de Setembro, Centro, não teve apresentação de valor para o subsídio proposto pelos representantes do governo - o secretário da Administração, Ricardo Oliveira, e o titular da Assessoria Técnica, Osvaldo Hulle. O governo ficou de apresentar este valor para a próxima pauta da rodada de negociação prevista para a próxima quinta-feira (22).
Estiveram presentes à negociação, representando a Polícia Civil, dirigentes dos sindicatos dos Delegados (Sindelpo) e dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), e das asssociações de classe Investigadores de Polícia Civil (Assinpol), Escrivães (Aepes), Agentes de Polícia, Peritos Criminais, Fotógrafos, Médicos Legistas, Peritos Papiloscópicos e Auxiliares de Necrópsias.
Para o presidente da Assinpol, Júnior Fialho, a proposta do governo já havia sido rejeitada pelos policiais civis em negociação com o governo de José Ignácio Ferreira. O subsídio - disse ele - garante apenas agregar ao salário as gratificações a partir de quando o servidor entrou para a Polícia Civil. Existem casos de policiais que antes de entrar para a instituição trabalharam em outros lugares, e este tempo não é incorporado, como pretende o governo.
Júnior Fialho citou, por exemplo, o caso de um policial que trabalhou em outros locais por dez anos. Neste caso, se a proposta for aprovada, ele perde o direito das que estão incorporadas ao salário. São gratificações por tempo também trabalhado em outros locais, e que fazem parte do contracheque do policial. "Muitos policiais sairiam perdendo, porque haveria achatamento salarial", pontuou Júnior Fialho, ao lembrar que os dirigentes das entidades representativas de classe não saíram nada satisfeitos com o governo.
Como o valor desta tabela não cobriria as despesas dos atuais salários, a Polícia Civil também está em alerta. Vai à mesa de negociação na próxima semana para ouvir os representantes do governo, e depois vai se reunir ao meio dia do dia 20, no pátio da Polícia Civil, em assembléia geral, para discutir a proposta do Executivo, e em seguida formular uma contraproposta.
O presidente da Assinpol, Júnior Fialho, disse ainda que durante os intervalos nas negociações com o governo vai estar sentando à mesa para discutir a proposta do governo com a Associação dos Cabos e Soldados. Entendimento neste sentido já foi mantido com o presidente da entidade, soldado Carlos Roberto Caetano. Os policiais militares, por sua vez, têm uma proposta da qual não pretendem abrir mão.
Trata-se da isonomia com a Polícia Civil. Eles querem equiparar todos os salários. A tabela já está pronta e, se aprovada, o soldado passa a ter o mesmo salário do Agente de Polícia Nível I. E os coronéis passam a receber os mesmos salários dos delegados especiais. Os cabos e soldados estão atentos a este acordo, já que ele representa a chance de se livrarem dos "bicos".
Evitndo os "bicos", o policial militar ter uma vida mais digna, podendo morar em lugar descente e não dividir o mesmo espaço com pessoas que vivem à margem da sociedade, o que tem levado alguns deles a serem expulsos com suas famílias dos bairros. tendo que procurar abrigo na Associação dos Cabos e Soldados. Melhoria também que fará com que diminua o atendimento médico da corporação. "Para que isso ocorra, depende apenas de uma só situação: que o Governo passe a olhar o policial como sociedade", cobrou Júnior Fialho.
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