Vitória (ES), edição de 16 de março de 2007    
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A luz caminha em linha reta
ou
Em terra de cego, quem tem um olho vê o que quer



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Capitaneada pela imprensa e amplamente apoiada pelo Ministério Público e pelas Associações de Moradores, a celeuma criada em torno da questão da visão do Convento parece que ainda vai dar muito pano pra manga. Por isso, decidi contribuir para esta discussão importantíssima.

Há um projeto elaborado em 1993 pelo arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha (ganhador do Pulitzer de 2006) com a participação de outro arquiteto capixaba, Alexandre Feu Rosa, chamado "Projeto Baía de Vitória", que, em dado momento, enfrentou esta questão de uma forma muito vigorosa e também muito serena.

Este projeto é, segundo seu criador, "uma reflexão sobre as possibilidades de transformação da natureza e das cidades" e "deveria fazer parte de um projeto amplo e multidisciplinar de revitalização da cidade". Entre outras coisas, previa a construção de três torres dentro d'água na Enseada do Suá (próximo à Cruz do Papa) com 90 metros cada uma, que Paulo descreve da seguinte forma: "Imaginamos três prédios associados para não fazê-los muito altos. A altura seria, digamos, de caráter paisagistico, que harmonizasse com a morfologia, o Penedo, o Convento da Penha, o Convento da Penha tem 240 m de cota mais ou menos, o topo, 270 se não me engano, e esses prédios não passariam de 90, 100m, uma doce volumetria."

Apesar de avisado pelo próprio Paulo (em conversa por telefone) de que a celeuma é infundada e que a polêmica poderia me prejudicar, decidi propor um joguinho chamado "Onde está o Convento?".

  
Foto: Ricardo Medeiros
  


  
Foto: Ricardo Medeiros
  


  
Foto: Ricardo Medeiros
  


Particularmente acredito que a preservação plena da vista do Convento é uma mistura explosiva de ingenuidade e ignorância (da qual já resultou aberrações como, por exemplo, o nazismo e o fascismo), pois se pensarmos desta forma, nós, capixabas, estaremos fadados a passar a vida admirando-o ao invés de nos preocuparmos com a construção de uma desejada cidade para todos.

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