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Foto: Divulgação
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| As obras de Hélio Coelho ficam expostas na Galeria até 30de abril
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Só em 1977, um ano depois de ter chegado ao Espírito Santo, Hélio Coelho descobriu o que iria ser quando crescer. Num belo dia, papeava ele com Rita, sobrinha de Claudino de Jesus, à época presidente do Cineclube Cláudio Bueno Rocha. Disse a ela que era artista plástico, desenhava e tinha algumas coisas guardadas em casa. Ela se interessou: "Tenho um tio que trabalha na área cultural e acho que ele gostaria de te conhecer".
Não demorou muito para os dois se encontrarem. Conversaram, trocaram idéias. Poucos dias depois, Claudino apareceu na casa de Hélio: ficou fascinado pelo que viu. Os desenhos combinavam, sem tirar nem pôr, com o conceito da exposição-manifesto
Arte na Unidade Unidade na Arte, que o cineclube estava montando na Galeria Espaço Universitário, na Universidade Federal.
"A exposição tinha um contexto bem comunista, era meio panfletária. Aquela coisa de 'arte para o povo, não para a elite'. E meus desenhos naquele tempo tinham esse apelo, temas sociais, eu desenhava engraxate, lavadeira...". Não deu outra: Claudino carregou os desenhos de Hélio, então com 21 anos, para a mostra.
"Foi uma surpresa! Eu nem sabia o que era uma galeria", lembra. Passados 30 anos, o artista plástico Hélio Coelho está de volta ao espaço onde debutou: nesta quinta-feira (22), às 20h, a Galeria de Arte Espaço Universitário inaugura sua exposição. São 22 pinturas inéditas que realizou de 2004 até agora.
Há cinco anos Hélio não expunha em Vitória. Num encontro com a secretária de Produção e Difusão Cultural da Ufes, Rosana Paste, Hélio lhe disse que estava com um lote de trabalho. "Ela ficou feliz. Embora já tivesse fechado o calendário da galeria, ela conseguiu abrir um espaço para mim", diz.
Os quadros não se engessam em um tema. Mas há uma temática: a origem animal do homem e sua relação com o espaço, com a natureza. "Sou bastante humano. Gosto do mundo, da vida. Mas acho que o homem é um bicho que destrói mesmo. Venho do interior de Minas onde os valores eram respeitados. Eu guardei essas coisas e elas aparecem nas telas de forma bem humorada, sem serem panfletárias", fala.
Mineiro de Resplendor, cidade pertinho de Aimorés, na divisa com o Espírito Santo, Hélio Coelho veio para o Espírito Santo em 1976. Trabalhou um bom tempo em São Paulo, desenhando, por exemplo, cartazes para mostras de cineclubes, os quais ele lamenta dolorosamente que tenham se perdido. Esteve em Porto Alegre nos últimos três anos trabalhando com animação no Estúdio de Otto Guerra. Por lá, já tem exposição marcada para junho próximo no Museu do Trabalho, como convidado especial.
A primeira mostra que fez na Ufes foi importante não só pela boa acolhida de Claudino de Jesus. Seus desenhos repercutiram muito bem na comunidade acadêmica. "Eu vendi tudo. Alunos e professores compraram meus desenhos", lembra o artista.
Os métodos de Hélio surpreenderam os alunos, que não esperavam ver naquelas telas certas misturas de materiais que lhe eram vedadas. "Para surpresa dos alunos, eu misturava materiais que para eles eram proibidos. Aí eu pensava: 'Como assim não se pode misturar tinta guaxe com nanquim'", questiona, bem humorado, enquanto explica que sempre foi um artista muito, muito inquieto. "Eu sinto gastura. Você sabe o que é isso? Quando pequeno, altas horas da madrugada eu acordava minha mãe só para pedir um lápis para desenhar", relembra.
Hélio acha que a Galeria de Arte Espaço Universitário desempenha um papel fundamental dentro do contexto capixaba, ainda, segundo ele, parco de galerias para exposição. "Ela mostra o artista novo, valoriza o sujeito que pesquisa. E também é democrática. Ela põe o artista daqui e os de fora num mesmo patamar. Além disso ela tem a melhor sala de conservação de Vitória. Só acho que a iluminação precisa de um reparo", diz.
"Mas", emenda, "acho que faltam galerias para exposição. Existem umas, mas que são mais lojas do que propriamente galerias. Faltam espaços com conceito, com critérios". A seguir ele solta uma frase que sintetiza bem sua mensagem. "Nos falta um estádio de futebol para trazer a seleção brasileira, e nos falta também um espaço para trazer gente boa para cá", conclui.
Acervo
Também na quinta-feira, na mesma hora e local, a secretaria de Cultura da Ufes promove o lançamento do catálogo Acervo
O catálogo vem para contar a história de 30 anos de artes plásticas na Ufes, uma longa trajetória, que teve início na década de 70, com a realização do I Salão de Arte Universitária do Espírito Santo - em 15 de dezembro de 1976, organizado pela extinta Sub-Reitoria Comunitária, e vem até as vídeos instalações de hoje promovidas pela Secretaria de Cultura da Ufes.
O catálogo reúne mais de mil obras de arte, incluindo desenhos, pinturas, gravuras, fotos, objetos, esculturas e mosaicos, adquiridos durante os 30 anos de trabalho com exposições realizadas nas galerias de Arte e Pesquisa, do Centro de Artes, e Espaço Universitário, da Secretaria de Cultura da Ufes.
Esse riquíssimo acervo, angariado pelas duas galerias, é resultado de uma permuta entre o artista e a Universidade, isto é, a cada exposição que a Ufes promovia, uma obra era doada pelo expositor (essa estratégia ainda é praticada pela coordenação da galeria Espaço Universitário). Graças a essa estratégia de permuta foi possível organizar todo esse material artístico em um catálogo, com o objetivo de contar a história das artes plásticas na Ufes e de ser um instrumento de pesquisa para alunos, professores, artistas e apaixonados pela arte.
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Foto: Divulgação
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| A capa do catálogo dos 30 anos da GAEU
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O catálogo estará à venda na galeria Espaço Universitário e na livraria da Ufes por R$ 70. A galeria também está lançando uma peça comemorativa dos 30 anos de artes plásticas na Ufes. Trata-se de um jogo de memória, cujas peças vêm com estampas da obra do artista Elpídio Malaquias. A peça será comercializada na GAEU por R$ 10.
Serviço
A inauguração da mostra de Hélio Coelho e o lançamento do catálogo
Acervo serão nesta quinta-feira (22), às 20h, na Galeria de Arte Espaço Universitário, Ufes (Campus de Goiabeiras). A mostra ficará aberta ao público até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Interessados em agendar visitas guiadas, podem ligar para 3335-2371. Mais informações: 3335-2370.
Saiba mais!
Clique aqui e visite o site da Secretaria de Produção e Difusão Cultural da Ufes
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