Vitória (ES), edição de 16 de março de 2007    
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Traços e riscos de animação



Leonardo ViSo


  
Foto: Divulgação
  
Os alunos da oficina preparam roteiros para filmar
A relativa calma do ambiente gera certa antítese, afinal é uma oficina de animação. O ranger das portas quebrava o quase silêncio. Sobre a mesa, em meio a storyboards inacabados e potes com canetas pretas, alguns desenham atentamente seus personagens. Outros preferem o intermédio da tecnologia e esboçam traços na tela do computador. Atentamente, Marcelo Marão - o oficineiro - observa tudo.

Desde a última segunda-feira (19), Marão ministra uma oficina de roteiro para animação aos alunos do Núcleo Animazul, projeto do Instituto Marlin Azul que oferece formação audiovisual a estudantes da rede pública. Até sexta-feira (23), quando acaba a oficina, os alunos vão escrever roteiros que serão aperfeiçoados e transformados em vídeos até o final de 2007.

Ao longo dos seus dez anos de carreira, Marão dirigiu diversos curtas de animação exibidos em festivais mundo a fora. São dele Cebolas São Azuis (1996), Chifre de Camaleão (2000), Engolervilha (2003), O Arroz Nunca Acaba (2005), dentre outros.

O interesse de Marão pela animação começou ainda na década de 80. "Nessa época não tinha quase nada de animação no Brasil. Só em São Paulo e era ligada à publicidade. A partir do surgimento do festival Anima Mundi, em 1993, o mercado começou a solicitar mais animações devido ao sucesso do festival, que no início tinha pouca produção brasileira", conta. Marão entrou na Faculdade de Belas Artes com a intenção de fazer histórias em quadrinhos, mas saiu direto para o mundo da animação.

O diretor conta que a produção de animação no país se profissionalizou. "Em toda a história do cinema brasileiro foram produzidos uns oito longas metragens em animação. Nos últimos seis anos foram produzidos quatro", comenta. A produção maior de longas acaba proporcionando aos realizadores relativa estabilidade financeira, o que é quase impossível para quem vive apenas de trabalhos com publicidade ou de patrocínio. "Dá para se programar com grana e até se casar e pagar a prestação do apartamento", brinca.

Marão aponta como um dos fatores do aumento da produção a popularização dos computadores pessoais, o que possibilitou ao trabalho, antes manual e feito em película, ser realizado nos computadores. Outro fator importante é a exibição em festivais. "Quando me formei fiz meu trabalho de graduação em película o que levava semanas, hoje se faz em minutos", diz. Marão - que também é professor de pós-graduação - enfatiza o interesse dos profissionais de animação em investir na formação acadêmica mesmo sendo em sua maioria autodidatas.

Futuro
No desenrolar da oficina, Marão propõe aos alunos que narrem um roteiro de improviso. Cada um ficará responsável por um pedaço. "Pode começar com uma garota andando na rua com seu cachorro...", sugere Ariane Piñeiro, 14, que há dois anos faz parte do núcleo Animazul. Alguém pergunta a raça do cachorro e ela responde "Um pitbull, ou melhor um pastor alemão". Ariane já trabalhou em três animações do núcleo, contribuindo, principalmente, na pintura dos desenhos.

O núcleo é formado por 20 estudantes na faixa etária de 14 a 24 anos de idade, que participam de oficinas de técnicas e linguagem audiovisuais. Ana Cláudia Soares, 17, conta que começou no projeto por acaso, levada por um amigo. Com três anos de núcleo, ela já participou de sete animações e pretende seguir carreira trabalhando com audiovisual.

Antes do fim da aula, alguns alunos entregam dvd´s de trabalhos anteriores para Marão, que assiste aos vídeos e se mostra surpreso com o interesse dos alunos. "Com melhor formação não corremos o risco de sobrar vagas. No Brasil, os animadores acabam aprendendo a fazer um pouco de tudo e tendo êxito também no exterior", prevê o diretor.

Ainda dentro da programação da oficina, na quinta-feira (22) Marão participa de um bate-papo sobre animação com estudantes, animadores e outros profissionais das áreas de comunicação e audiovisual. Durante o bate-papo (aberto à participação do público em geral), quem ainda não viu os trabalhos do animador terá a oportunidade, já que ele vai apresentar e comentar alguns de seus filmes.

Serviço
Bate-papo com o animador Marcelo Marão. Nesta Quinta-feira (22) às 18h, no Instituto Marlin Azul (Rua Professora Maria Cândida, 15, Bairro República, Vitória). A entrada é franca. Informações e confirmação de presença: 3327-2751.

Saiba Mais!
Clique aqui e acesse o site do animador Marão


 

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