A participação do estado do Espírito Santo no esforço brasileiro de crescimento da cadeia produtiva do etanol, terá maior resultado estratégico com enfoque macro-regional.
Com efeito, para alcançar ganhos de produtividade, de logística, de escala, e de acesso ao mercado externo, é necessário tratar a expansão da produção em articulação com a Bahia e com Minas Gerais.
Trata-se de criar um eixo regional de produção , transporte e atendimento dos mercados externo e interno nestes três estados, com "saída para o exterior" pelos portos do norte do Espírito Santo e "saída" para o mercado interno a partir da capacidade logística diferenciada do Espírito Santo. Isoladamente , a produção capixaba será pouco relevante e competitiva.
Hoje, o eixo São Paulo/Centro-Oeste produz em torno de 2/3 do álcool nacional. Este eixo regional terá a sua produção ampliada a partir da viabilização do alcoolduto Goiás/São Paulo e do acordo comercial entre a Petrobras e a Mitsui, para fornecer mais de 3 bilhões de litros de etanol por ano ao Japão.
Assim, com a excessiva concentração da produção em São Paulo, a partir destes fatos (novo alcoolduto e atendimento da demanda do Japão), vai ser estratégico, para evitar os riscos da monocultura em São Paulo, levar a expansão adicional do cultivo de cana a outros estados brasileiros.
Neste contexto, para beneficiar-se desta necessidade estratégica nacional de descentralização da produção e da comercialização para o mercado externo (Japão, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos ), o Espírito Santo precisa atuar com: (a) enfoque regional (ES/BA/MG) na expansão da produção e da produtividade, para que se possa ter a escala de uma commodity agrícola que deverá ser o etanol; (b) investimentos em pesquisas pelo governo estadual , em parceria com a iniciativa privada e com agências federais: (c) enfoque em logística; (d) atração de novos parceiros nacionais e, principalmente, de capital estrangeiro.
Para o Brasil, o desafio é multiplicar o esforço de pesquisa e desenvolvimento; atuar para o etanol transformar-se em commodity agrícola; encaminhar a negociação da questão da sobretaxa dos Estados Unidos ; e atrair capital estrangeiro para expandir a produção. Na cadeia produtiva do etanol , como se sabe , o quesito capital é o Calcanhar de Aquiles do Brasil , já que a produção nacional deverá/poderá multiplicar-se por oito nos próximos anos.
Portanto, neste quesito capital, é importante o acordo entre a Petrobras e a Mitsui, com apoio do banco japonês de fomento, para o financiamento de 40 novas Usinas de Álcool no Brasil, em parceria com empresários nacionais e/ou estrangeiros.
A boa notícia, para os capixabas, é a de que o Espírito Santo já começou a colocar um pé no estribo do bonde do etanol. Com direito à mudanças de paradigmas na matriz energética, na direção do desenvolvimento sustentável.
| |