Coragem e compromisso




Caetano Roque da Silva


No passado, os metalúrgicos da ex-Cofavi conseguiram receber nove folhas de pagamentos atrasados através da concessão do governo de transferência de ICMs gerados pela empresa. Com foi: a Cofavi estava parada por insolvência e os trabalhadores propuseram voltar a produzir, com o ICMS destinado às folhas de pagamento em atrasos.

Acabou permitindo que ela voltasse a produzir continuamente. É evidente que contou com a compreensão de um governo de origem dos trabalhadores. Foi o de Vitor Buaiz. Uma parceria de alta qualidade social, pois atendeu aos trabalhadores e ao capital.

Diferente do que está ocorrendo agora com o governo Paulo Hartung. Ele recusa-se a adotar critério semelhante. O que demonstra claramente que a opção do governador, sistematicamente, tem sido em favor do capital. Ele é o grande guardião dos interesses das transnacionais, como a Aracruz Celulose, CST, Vale, Samarco e Belgo Mineira.

Estou com esse assunto porque recentemente a Justiça negou aos trabalhadores o direito de usar agora o método anterior do governo Vitor. O que foi lamentável. Os trabalhadores da Belgo, a maioria já fora de atividade, levaram um calote e tanto.

É preciso que os governos, ainda o de um ex-comunista e líder estudantil à frente dele, como o de Paulo Hartung, falte com os trabalhadores. Que consegue amparo para a sua recusa na Justiça comum, quando o caso deveria ser privativo da Justiça do Trabalho.

Por isso é que me vali de um episódio no passado, onde ficou patente a sensibilidade do governante com à causa do trabalhador, do Vitor Buaiz, para voltar a afirmar a necessidade de os dirigentes sindicais partirem para a reforma sindical. Não é possível mais que discórdias político-ideológicas impeçam a discussão da reforma sindical. Exemplos como esse aqui focalizado mostram que a Justiça comum não é o fórum adequado para decidir matérias trabalhistas.

Quero ser impertinente, até mesmo chato, pressionando os dirigentes sindicais do Estado para que entrem na discussão da reforma sindical. Coragem e compromisso com os trabalhadores. É que espero que eles assumam.