O centro do terror hartunguete





Rogério Medeiros

Com o Ministério Público Estadual ao seu lado, o governador Paulo Hartung conquistou a reputação da incorruptibilidade.

Em quatro anos de mandato, apontaram apenas um pequeno deslize do seu governo (compra de quadros de arte sem licitação). Assim mesmo por ter escapado à vigilância dos guardiães do seu governo no Ministério Público - José Paulo Nogueira da Gama, Zardini Antônio e Evaldo Martinelli. Os dois primeiros ocupando cargos estratégicos e o último pela liderança junto à corporação.

Mas não houve repercussão alguma desse fato. Tiveram o zelo de não levá-lo ao conhecimento da mídia, como habitualmente e, estrategicamente, fazem quando se trata de oponentes do governador. Nos casos dos oponentes, o Ministério Público denuncia, sem ouvir a parte, entrega à imprensa (mais precisamente ao jornal "A Gazeta"), para só depois encaminhar ao juiz. Pois não estão em busca da condenação, mas da execração pública. A motivação é sempre aniquilar o acusado pelos efeitos arrasadores da notícia dada.

Depois dessa apropriação do Ministério Público para fins políticos, o governador Paulo Hartung transformou-se no homem mais temido do Espírito Santo. Arrisco dizer, de toda a história política do Estado. Não há quem não atue no Estado que não se encontre sob ameaça de uma denúncia desse teor. Por outro lado, desencoraja qualquer um a criticá-lo. Além de ser inerente à tendência política do governador em ver como acusação o que não é elogio.

Até nos momentos em que a mídia é obrigada a abordar a negligência do seu governo na segurança, os guardiães Nogueira da Gama, Zardini Antônio e Martinelli dão um jeito. Para encobri-la, apelam para a era Gratz, retornando com ele ao noticiário com denúncias requentadas, como se fossem novas descobertas de corrupção. Voltam a atirar numa espécie de satã, embora já abatido, destroçado e arruinado.

O Ministério Público Estadual é o centro de terror com qual PH impõe os seus poderes sobre o Espírito Santo, a ponto de poder apresentar-se como "uma figura do Bem num ambiente em que as pessoas estão sempre dispostas a fazer o Mal" (Maquiavel).

(concluo amanhã).

Fragmentos
1 - A certeza de que nenhum governista, principalmente os hartunguetes, serão atingidos pelo Ministério Público Estadual é a nomeação do deputado estadual César Colnago (PSDB) para a Secretaria de Agricultura, apesar de encontrar-se em poder do Ministério Público denúncia contra ele de troca de votos por nomeações para cargos em comissão da Assembléia.

2 - Denúncia que partiu do ex-deputado Neto Barros, com nomes dos cargos trocados e que proporcionaram ao César reeleger-se com base nos votos do interior do Estado. Inclusive, recebendo votos em municípios em que não costumava ser votado. A denúncia contém os nomes dos parentes dos prefeitos nomeados e as retribuições dos votos nos respectivos municípios.

3 - Colnago também se destacou na presidência da Assembléia como informante do Ministério Público, entregando dossiês contra colegas deputados. O mais recente foi com suspeição sobre diárias de deputados ainda da gestão Gratz.