CVRD: licença para matar





Ubervalter Coimbra


A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e o governo Paulo Hartung conciliam interesses para ampliação da produção da transnacional em Tubarão, na Grande Vitória. Como em Ubu, na divisa de Anchieta com Guarapari.

O licenciamento do projeto de expansão da Vale em Tubarão estava para ser liberado em janeiro. Isso só ocorreu, pois a empresa faz ajustes, como parte do jogo de cena para que, então, o Iema dê autorização ambiental para que o projeto seja tocado.

A primeira usina de pelotização da Vale em Tubarão foi inaugurada em 1969 com capacidade para produzir 2 milhões de toneladas anuais. Em 2006, a Vale produziu em suas sete usinas 28,52 milhões de toneladas de pelotas de ferro, um aumento de 17,57% sobre a produção de 2005, de 27,68 milhões de toneladas.

A Vale está em campanha para aumentar a produção para, pelo menos, 39,3 milhões de toneladas anuais em Tubarão.

Quem observa a área de Tubarão, a partir de Camburi, por exemplo, vê as grossas e negras nuvens de poluição produzidas pela Vale (e também pela CST), e lançadas continuamente no ar. Não é difícil concluir que a direção dos ventos lança os poluentes sobre os moradores da Grande Vitória.

Os que conhecem a história capixaba lembram dos alertas feitos pelo cientista Augusto Ruschi de que a região do Planalto de Carapina era imprópria para receber instalações siderúrgicas. Os alertas foram desconsiderados.

Como hoje são ignoradas as advertências dos ambientalistas de que não dá mais sequer para tolerar a poluição que é lançada a partir de Tubarão, quanto mais para permitir a ampliação das emissões.

A Vale teve R$ 13,431 bilhões de lucro líquido em 2006, segundo a empresa divulgou no início deste mês. O lucro de 2006 é 31% maior do que o de 2005, quando a empresa ganhou R$ 10,4 bilhões. E esse, 61,7% superior ao de 2004. Os lucros de 2006 foram atribuídos ao aumento da produção, 12,8% maior do que no ano anterior, e ao aumento de preços no mercado mundial, de 71,7% sobre o ano anterior.

A Vale teve ótimo desempenho para uma empresa que foi enxugada e praticamente doada à iniciativa privada, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi vendida em 1997 por US$ 3,338 bilhões. Um nada, pelo que valia, com a agravante de que, pelo processo montado pelo governo entreguista de FHC, as ações da Vale foram parar nas mãos dos conglomerados transnacionais.

No período em que teve seu lucro líquido de R$ 13,431 bilhões, a poluição da Vale lançada sobre a Grande Vitória provocou doenças que custaram à população pelo menos R$ 65 milhões, média histórica anual dos custos dos danos à saúde dos moradores. Em 2006 o passivo da empresa com os moradores da Grande Vitória subiu para R$ R$ 2,4 bilhões.

O lucro da Vale é obtido de forma cruel. A Vale é a principal poluidora da Grande Vitória: responde por 20-25% das 264 toneladas diárias (96.360 toneladas/ano) de poluentes lançados no ar da Grande Vitória. As outras grandes vilãs são s CST e a Belgo, ambas do grupo Arcelor - Mittal.

As três e, face a falta de estudos não dá para individualizar as responsabilidades, emitem 59 os tipos de poluentes, sendo 28 altamente nocivos à saúde. Entre eles, os derivados do enxofre (principalmente da CST, que não trata suas emissões), e as famosas partículas finas de minério, as chamadas PM10 e PM2.5, sedimentáveis, que vão contaminar os pulmões (essas mais na conta da Vale). As doenças que as poluidoras provocam são graves, e vão desde alergias a cânceres.

O mesmo dano que a Vale promove na saúde dos moradores da GV, projeta para Ubu, entre Anchieta e Guarapari, onde terá uma nova Tubarão.

Mas mira da transnacional, hoje, a licença para o projeto de Tubarão. Licença que garantirá mais lucro à empresa, com o aumento da produção. E aumento da poluição. É iminente a liberação da licença ambiental.

Será licença para matar capixabas.

Um horror, essa Vale e esse governo Paulo Hartung!


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