Vida de Imigrante - Aniversário virtual




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Há seis anos sento na frente da telinha de um computador - tantos foram que já perdi a conta - para dedilhar essa conversa descontraída que jogo na rede, tentando pescar leitores e personagens. Duas vezes na semana, são quase 600 tentativas literárias cujo gênero nem eu sei definir.

São mini-contos, recontos e pespontos, conversa e sem versa, côncavas ou convexas, medições, meditações, alucinações, recados ditos, benditos ou desditos. Um olhar descontraído - mas com algum humor - na vida alheia, que da minha raramente falo. Quem se interessaria em saber o que faço, como vivo, se jogo na loteria ou se vou ao cinema, que filmes prefiro ou em quem votei nas eleições?

Banalidades, futilidades, pequenas manias e idiossincrasias, que se reveladas vão traçando um perfil, uma personalidade, um jeito de ser igual e diferente de todo mundo. Como a cebola que se formos tirando as camadas, no final restam apenas algumas lágrimas. O que nada define, pois choramos de dor e choramos de rir. Qual nos faz chorar mais é que faz a diferença.

Apesar do endereço - diretamente de Miami - meu espaço também é um advérbio indefinido. Posso estar em Miami ou no Brasil, em corpo presente ou em estado de graça, ou em algum outro lugar onde o acaso ou a sorte me leve. Pois se ando algumas quadras ao norte já não estou em Miami, mas em Miramar, que é outra cidade. Se estou em Nova York ou Toronto, ainda assim a coluna dirá que escrevo diretamente ou indiretamente de Miami.

E se falo de imigrantes também não defino os personagens, pois que imigrantes somos todos nós, degredados filhos de Eva, expulsos do paraíso ou de outra vida, vagando entre endereços e rotas: Vamos na outra pizzaria onde a pizza é melhor, ou na outra padaria pois tem o pão é mais barato. Imigramos de casas e de estado de espírito, de cidades e de vidas.

Esses desterrados que me emprestam suas histórias seguem comigo, atados a mim e eu a eles, nem heróis nem vilões, apenas gente como nós, se agarrando como podem ao breve correr dos dedos sobre o teclado. Não me dê um final infeliz, é tudo que me pedem.

Abro um champanhe virtual, e por e-mail mando a meus pacientes leitores um pedaço de bolo.