"Por cima, por baixo ou pelo meio, mas nunca dando a volta."
(Theodore Roosevelt)
Nosso entrevistado não se sente derrotado. Também admite ficar no PTB. O suplente de deputado federal Marcus Vicente assume que vai ficar no partido que ajudou a construir no Estado. Mas, em virtude dos últimos acontecimentos, e devido ao seu desentendimento com o presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Jefferson, o jogo muda um pouco. Vicente vai permanecer no partido e o presidente estadual será, pelo menos inicialmente, o prefeito de Linhares, José Carlos Elias.
Marcus Vicente se sente à vontade, nesta entrevista, para falar sobre sua relação com o governo do Estado e sobre alguns avanços do Espírito Santo nos últimos anos. O leitor vai perceber um momento em que o entrevistado se sente um pouco embaraçado e faz uma pausa para responder. Por que será?
Não é de se espantar que o suplente ganhou tal espaço político por haver preferido outra coligação, na qual estavam PSDB, PMDB e PFL. O ex-presidente do PTB estadual tinha a opção de se aliar aos quadros do PT e do PSB, onde estavam, respectivamente, o prefeito de Vitória, João Coser, e o então candidato a senador Renato Casagrande.
Mas não há arrependimento na expressão de Marcus Vicente. Ele disse que a sensação é a de dever cumprido. Ele sabe que falta, apenas, a participação efetiva do PTB no governo do Estado. Confira.
Século Diário: - Como é ficar na primeira suplência? O senhor é conhecido como uma pessoa que sabe fazer alianças e, de repente, toma um tombo...
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Foto de: Nerter Samora
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Marcus Vicente: - Eu acho que o sentimento não é de derrota, é um sentimento, sobretudo, de dever cumprido. Eu cumpri o meu papel. Eu acho que a gente tem que olhar, evidentemente, que trabalhei pela minha reeleição. A eleição teve um processo político. No trabalho da reeleição, a gente tem que lembrar que o mandato dura quatro anos. Então, a gente trabalha a reeleição durante quatro anos. O processo de aliança eleitoral é que não foi conduzido na perna para deputado federal e estadual, de forma adequada que pudesse contemplar, inclusive, os deputados federais do PTB. No caso, a minha candidatura e a do Padre Maurício. Mas eu me sinto bem. Me sinto com a consciência tranqüila, de ter feito um bom trabalho em favor do Estado. Acho que o momento em que vivemos no Espírito Santo, principalmente nos últimos quatro anos, foi um condutor nesse processo de renovar nossa aliança com o governador Paulo Hartung. Acho que o processo que o PTB enfrentou, inclusive o PTB em nível nacional, foi um processo de depuração, sendo que o grande impulsionador dessa celeuma do mensalão foi o presidente do PTB nacional. Mas o PTB do Espírito Santo se saiu muito bem na sua peça principal, de trabalho político... pudemos organizar o partido em todo o Estado, isso durante quatro anos. O partido está maduro e, quando chegou a hora das alianças, foi o caminho natural nosso, já que nós tínhamos o apoio do governador Paulo Hartung, a referendar, no processo eleitoral, aquilo que nós já vínhamos fazendo. Então, o PTB seguiu muito bem na aliança com o governador. Só o cálculo dentro dessa ampla aliança que o governador construiu com PT, PSB e PL e, do outro lado, PSDB, PMDB e PFL, é que não saiu bem do modo que pensamos inicialmente. Mas eu me sinto absolutamente tranqüilo, com minha consciência tranqüila, de ter feito meu papel, desempenhado meu papel na política do Espírito Santo, como presidente do partido e como deputado federal.
- O caminho natural do PTB era a coligação PT, PSB... O senhor, certamente, seria um dos mais votados.
- Tivemos uma conversa, inclusive, porque era o caminho natural do PTB. Isso aconteceu em Pernambuco e em outros estados brasileiros. Na Bahia também... Era o caminho natural do PTB, porque no plano nacional somos aliados do PT., PSB e PL. Também o Renato Casagrande me aguardava. Naquele momento de aliança, nos primeiros meses de julho, Renato, com sua candidatura consolidada, buscava um número certo e maior de alianças que pudesse dar mais tempo de televisão para ele. Realmente, ele o Coser me esperaram até a última hora. Mas o PMDB, na proporcional, tinha uma dificuldade em se aliar com o PT. O PT, na proporcional, não aceitava o PMDB. Então, houve também a intervenção do governador Paulo Hartung, nesse sentido, para que o PTB pudesse também, digamos, "aquecer" a presença do PMDB na nossa aliança. O nosso acordo não era com o PMDB. Nosso acordo era com Luiz Paulo Vellozo Lucas no Senado. Em função da necessidade do governador de acomodar Luiz Paulo para federal e levar Ricardo Ferraço para vice-governador, aí fazer uma outra perna com Renato Casagrande senador, quer dizer, naquele momento que o PTB faz um outro movimento, criaria muita dificuldade para o governador, tendo em vista essa abrangência toda na sua aliança. Então, com a aliança do PSB, faríamos, evidentemente, alguns movimentos que nos deixariam bastante confortáveis. Primeiro que estaríamos, na segunda fase, com Neucimar, com tranqüilidade. Fazendo os cálculos, o PTB, com os votos que teve, da legenda, junto com Padre Maurício e Marcus Vicente, teria aí 107 mil votos somados, tirados do grupo do PMDB e colocados no PSB.
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Foto de: Nerter Samora
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Então, teríamos feito quatro deputados federais. Seria: Neucimar Fraga, Padre Maurício, Iriny Lopes e Marcus Vicente. Eu levaria para a minha conta de crédito político junto à nacional do PTB, além da minha reeleição, a eleição do Padre Maurício. Teríamos dois deputados eleitos, mas criaríamos, naquele momento, um problema muito grande para o governador, tendo em vista que o PMDB teria uma grande dificuldade de fazer aliança com o PT. Quer dizer, teria de ficar onde estava o PSDB. Também criaríamos outra dificuldade, porque o PTB, não aceitando a aliança onde estava Ricardo Ferraço, a princípio deputado federal, e Luiz Paulo para federal, o jogo estaria zerado. O nosso compromisso era Luiz Paulo senador. Mas criaria um problema, o problema das 72 horas. O governador talvez não tivesse tempo para reestruturar esta aliança. O PTB, através de sua Executiva, foi, evidentemente, sacrificado. Mas a responsabilidade também incorpora esse tipo de resultado. Temos que ter grandeza para compreender isso. Não ganhar a eleição com 3.57 por cento dos votos válidos, realmente dá um gosto... (risos) Um gosto ruim. Realmente, no Estado de São Paulo, isso significaria 480 mil votos. No Paraná, 163 mil votos. No Espírito Santo, tivemos votos suficientes, mas... em função da aliança do PTB, o compromisso com o governador Paulo Hartung, com o PSDB, o PFL e o PMDB... O PTB se viu sacrificado nesse momento, mas que a legenda estadual fez 166 mil votos. Isso mostra que o PTB tem força.