E o espetáculo continua




O desfile de bravatas e arroubos inconseqüentes dos principais responsáveis pelo fracasso da CPI do Grampo continua, nesta terça-feira (27), com outro show de exibicionismo de Rudinho de Souza e Euclério Sampaio. Eles queriam mostrar seriedade e serviço à presidente do Sindicato dos Jornalistas do Espísito Santo, Suzana Tatagiba, responsável pela denúncia do grampo ilegal em "A Gazeta".

Quanto tempo perdeu a líder sindical dos jornalistas! Em seu depoimento àquela CPI, ela detalhou tudo - do recebimento da denúncia anônima sobre o grampo em "A Gazeta" às providências que tomou para ver o caso resolvido, sem esquecer de iniciativas visando a tornar público esse horroroso crime contra as liberdades públicas, por meio de mensagens a entidades de defesa dos direitos humanos do Brasil e do Exterior.

Suzana falou sobre o que soube e o que fez. Rudinho e Euclério, presidente e relator da CPI, falaram do que pretendiam fazer para punir os responsáveis. E ficaram só nas palavras.

A sessão em que ocorreu o depoimento de Suzana Tatagiba é uma das páginas mais lastimáveis de nossa história política recente (veja matéria em destaque nesta edição). À irresponsabilidade criminosa de autoridades do Executivo estadual - a bisbilhotar a intimidade das pessoas com o único intuito de provar o improvável sobre o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho - juntou-se o vexame de um Legislativo fragilizado pelo garrote do governo do Estado, desmoralizado por escândalos que não quis punir e desrespeitado por jogadas de esperteza como a do seu então presidente, Cesar Colnago, que usou cargos comissionados na Casa para barganhar votos Estado afora visando à sua reeleição.

Imaginem a cena, leitores: Colnago a trocar cargos por votos e Rudinho e Euclério a prometer o que não tiveram coragem de fazer, punir os bisbilhoteiros do Guardião. Nada mais deprimente e vergonhoso.

Pois assim Século Diário vai mostrando, dia após dia, o que foi, na realidade, o triste espetáculo dessa CPI do Grampo.

Não estamos especulando, nem fazendo suposições ou formulando ilações. Estamos simplesmente transcrevendo e interpretando trechos de textos oficiais arquivados na Assembléia Legislativa. Nem são textos secretos ou sigilosos. Trata-se de material à disposição do público, como informou oficialmente à direção de Século Diário o atual presidente da Assembléia, Guerino Zanon.

A pergunta que se impõe é: isso vai ficar assim mesmo? Ninguém vai agir para dar desdobramentos a esse triste episódio? Mais uma vez a sociedade vai ter que engolir em seco esse espetáculo de omissões e ações ilícitas de gente ligada ao poder público estadual?

Pobre Espírito Santo!