Os professores da rede pública estadual estão em situação crítica. A constatação é da diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes) Ana Rosa Kuster, que denuncia falta papel e até de merenda em algumas escolas, uma situação oposta à propaganda do Estado, que mostra professores e crianças sorridentes.
Os servidores, em estado de greve, paralisam suas atividades nesta quarta-feira (28) e realizam assembléia geral. A pauta de reivindicações é extensa, e passa por questões salarias, chegando à infra-estrutura e à grade curricular das escolas.
O sindicato da categoria reivindica uma reformulação do plano de cargos e salários, além da criação de concurso público - para reforçar os quadros de professores -, a reposição de perdas salariais históricas (que chegam a 58%, acumulada nos últimos anos), a reformulação do estatuto que rege o magistério e melhorias na infra-estrutura das escolas.
O fim da ampliação da carga horária é outra reivindicação da categoria, que, segundo a sindicalista, é alvo de críticas entre a comunidade escolar, afetando alunos, pais e professores. O programa "Mais tempo na Escola", que amplia o tempo dos alunos na escola, é o tema da propaganda institucional da Secretária de Educação (Sedu) e questionada por educadores.
As principais queixas giram em torno do regime de horário, que atrapalha os alunos que fazem estágio e que causam transtornos aos pais, já que os alunos chegam tarde em casa, corroborado pelo medo da violência, ao contrário do que informa a peça publicitária do governo ("filhos por mais tempo nas escolas, mais tranqüilidade para os pais").
Na Serra, um grupo de pais de alunos e professores da Escola Aristóbilis Leão, no bairro Laranjeiras, protestaram na manhã desta terça-feira (27) contra a propaganda da Sedu, amplamente divulgada nas emissoras de televisão e rádios locais. O grupo denuncia que o governo está fazendo "propaganda enganosa".
Ana Rosa, ao ser questionada sobre a estrutura da escolas estaduais e das condições oferecidas aos educadores, revelou uma triste realidade - que constrasta com as propagandas institucionais -, "muitas escolas não têm papel, em outras, faltam até a merenda".
Sobre as salas de computadores na escola, a sindicalista denuncia que falta gente especializada para desenvolver o ensino da disciplina de infomática. "Algumas escolas possuem laboratórios com computadores novos, porém faltam professores especializados para ensinar aos alunos", contribuindo ainda mais para a lentidão da inclusão digital dos alunos, principalmente de regiões carentes, diminuindo ainda mais as oportunidades destes.
A diminuição da quantidades de horas-aula das disciplinas relacionadas a ciências sociais é outro agravante. "Reduzir o número de aulas de história, sociologia e filosofia, e aumentar as aulas de matemática e português, não representa uma melhor formação aos alunos", concluiu Ana Rosa.
Estes são apenas alguns dos desafios dos professores da rede pública estadual, que já solicitaram uma audiência com o secretário de Educação, Haroldo Costa, exigindo uma resposta "certa" para essas questões, mas que até o momento ainda não foram atendidos.
A assessoria de imprensa da Sedu foi contactada, mas até o fechamento desta reportagem não havia se pronunciado sobre o assunto.
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