No Salão de Genebra, houve pelo menos uma marca que, mesmo sem apresentar novidade alguma, chamou a atenção do público. Trata-se da Gumpert, que produz o supercarro Apollo. Com 650 cv, o carro é uma obra de arte de Roland Gumpert, um homem que ajudou a criar uma das identidades mais importantes da marca das quatro argolas: o sistema quattro.
Originado com o jipinho VW Iltis (leia mais sobre a quattro aqui), o sistema de tração integral permanente da Audi tornou a marca mundialmente reconhecida. Gumpert esteve diretamente envolvido no desenvolvimento deste sistema e do Audi Quattro, o pioneiro desta tecnologia. Em seguida, partiu para a direção do departamento esportivo da marca e, com 25 vitórias, dois campeonatos do mundo de construtores e dois de pilotos nas categorias em que competiu, colocou a viola no saco e partiu para um desafio particular: criar sua própria marca.
Para isso ele contou com a ajuda da antiga empregadora e adotou em seu veículo o motor V8 4,2-litros da marca. Forte o suficiente para fazer a alegria de qualquer motorista comum, esse motor recebeu nas mãos de Gumpert mais dois turbos, que fizeram sua potência subir para 650 c a 6.000 rpm.
Resolvido o problema do coração do carro, restou ao construtor alemão definir como seria o carro. E a resposta saiu rapidamente: seria um carro com dois lugares, construído em estrutura tubular de cromo-molibdênio e com uma célula de sobrevivência em fibra de carbono.
O fundo do carro, plano, ajuda a aumentar a sustentação negativa e grudá-lo no chão. Com tanta força à disposição, precisa? O motor, então, foi montado em posição central traseira (mais perto do eixo traseiro que do dianteiro), com uma transmissão seqüencial de seis marchas para comandar o bicho.
Com 4,46 m de comprimento, meros 1,11 m de altura e 2,70 m de entre eixos, o carro consegue pesar relativamente pouco, 1.100 kg. Nisso devem pesar bastante os 120 l de capacidade do tanque de combustível. Afinal, como diz o ditado, "cavalo que anda bebe".
A velocidade máxima do Gumpert Apollo é declarada em 360 km/h, com 0 a 100 km/h em apenas 3 s! Os 200 km/h, então, chegam em 8,9 s, tempo que um carro esportivo comum leva para chegar à primeira marca. Para brecar o Apollo, freios ABS nas quatro rodas de 380 mm. As pinças têm oito pistões cada, o que faz da frenagem um exercício tão interessante e extremo quanto a aceleração.
Com produção restrita, o carro não ameaça os veículos da Audi, mas bem que a marca, antes de ter o R8, devia olhar com uma pontinha de inveja para o ex-funcionário. Ou com orgulho, por saber que o coração do Apollo, no fim das contas, é Audi.
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