Foto: Divulgação
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Há três meses circula pelas ruas do Brasil um ilustre desconhecido: o Nissan Tiida. O hatch médio conseguiu em outubro a 7ª posição em vendas na sua categoria, superando até mesmo as expectativas da marca japonesa - foram 333 unidades emplacadas, contra a previsão de 260 da Nissan. Só que, em números totais, isso é bem pouco: outubro acabou com 822 Tiidas rodando em todo o Brasil. Consequentemente, trata-se de um carro que quase ninguém viu.
A própria Nissan optou por priorizar o sedã médio-grande Sentra, que disputa num segmento com modelos consagrados, como Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra. Se a campanha publicitária cantando que o sedã "não tem cara de tiozão" já pode ser considerada antológica, a do Tiida tem um perfil bem mais discreto, e hoje concentra-se na TV a cabo.
Outro ponto que pode segurar o Tiida nas revendas é a motorização. A Anfavea divulgou que, em outubro, 86,5% dos carros novos vendidos no Brasil tinham motor bicombustível. Mas o Tiida (assim como o Sentra) só aceita gasolina em seu propulsor 1.8. O problema não é tanto o custo para abastecer (o carro não é "bebedor"), mas a sensação de colocar-se fora da "marcha para o etanol" prometida pelo governo federal - além do desconforto ecologicamente correto de não poder usar um combustível renovável e que polui (um pouco) menos.
Quanto a isso, a fábrica informou que o Brasil está incluído no Nissan Green Program 2010, e que a idéia é lançar no mercado brasileiro, até 2009, veículos aptos a rodar com gasolina e álcool.
Por fim, há o preço. Na pesquisa Datafolha, o carro (importado do México) começa em R$ 53.465, na versão S mecânica, e chega a R$ 67.815 na SL automática, topo de linha. Peugeot 307, VW Golf , Ford Focus, Vectra GT e Astra têm preços mais competitivos que os do Tiida em pelo menos uma de suas versões. E todos possuem a opção flex. Como compensação, a Nissan fez um acordo com uma seguradora, e promete um prêmio abaixo de R$ 1 mil pelo carro (que certamente não é muito visado pelos ladrões).
Mas o Tiida, é claro, tem suas qualidades. A grande aposta é a versão SL manual (R$ 63.800), equipada para ficar com cara de carro esportivo - um trato que inclui saias dianteiras, laterais e traseiras, aerofólio traseiro com brake-light integrado e acabamento cromado na 5ª porta e na grade inferior dianteira. Tudo isso é importado (a Nissan promete nacionalizar os acessórios futuramente) e caro: sai por mais R$ 6 mil, fazendo o preço final encostar nos R$ 70 mil.
Esses elementos, mais as belas rodas esportivas (de série) e o vermelho vivo da pintura, cumprem sua função de pimenta e transformam o Tiida num carro agressivo e imponente. A dianteira sinuosa, com grade curva e faróis trapezoidais com canhões irregulares, é encimada pelo capô proeminente, que se destaca do conjunto e cria uma "testa" bem enfezada e peculiar. A linha de cintura alta e reta não resulta em janelas menores: estas começam com um pequeno vidro logo antes dos espelhos (como no Honda Civic) e fazem um arco que só termina na coluna C (a da 5ª porta) num ângulo aberto.
Por trás, o Tiida esportivado fica quase parecendo um carro tunado, com o aerofólio e as lanternas salientes "pulando" para fora da carroceria e uma antena de teto preta arrematando o conjunto. O visual - que lembra um pouco o Vectra GT - fica ainda mais agressivo quando o teto-solar é erguido.
Para quem vai de passageiro, o Tiida oferece espaço generoso para pernas e cabeças até dos mais altos e corpulentos. No banco traseiro, o descanso de braço retrátil impede que um eventual ocupante do meio sinta-se bem. Normal: esse tipo de carro geralmente é delicioso para quatro pessoas e chato para cinco (especialmente se o 5º passageiro ficar reclamando). O porta-malas acomoda 289 litros, mas o comprimento bem utilizado do Tiida (4,295 metros, com 2,6 m de entre-eixos) permite que, na versão SL, o banco traseiro deslize para ampliar a capacidade de carga até 463 litros.
Tudo isso somado, o Tiida tem espaço e conforto para servir de carro principal para uma família-padrão. Na roupagem esportiva, porém, seu público-alvo passa a ser composto principalmente por motoristas solitários ou casais jovens, que não se incomodam de chamar atenção por onde passarem com um carro ainda raro e bem diferente.
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