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Foto: Tom Boechat
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Quem gosta de música instrumental vai vibrar com o novo projeto que no início do próximo ano vai tomar a capital capixaba com apresentações culturais e uma programação com grandes nomes da música nacional e internacional, o
Vitória Instrumental. Mas, enquanto 2008 não chega, acontece nesta quinta-feira (4) o pré-lançamento do projeto, com uma prévia do que vem por aí.
O contrabaixista, arranjador e compositor Paulo Sodré, conhecido no cenário musical capixaba por seus trabalhos como instrumentista e arranjador em mais de 40 discos e trilhas de teatro no estado, lança seu primeiro CD autoral,
Sinfonia Popular Capixaba. “Eu homenageio as coisas do Espírito Santo, principalmente de Guarapari, que é minha terra natal”, diz Sodré.
Entre as dez composições que fazem do disco, todo instrumental, tem espaço para o samba, uma valsa jazz, um forró baião e até para a música erudita, numa composição de Sodré inspirada e em homenagem a Heitor Villa-Lobos, com quarteto de cordas. As faixas, a maioria de autoria do próprio músico, são
Abertura,
Mar da Minha Terra,
Rodovia do Sol,
Buxixo no Triângulo (com Roger Bezerra),
Valsa Final (com Mário Ruy),
Valeu, Dona Cléo,
Forró de Itaúnas (com Fabiano Araújo),
Recado prás Meninas,
Vamos lá, Edu! e
Bachiana - Ao Mestre Villa.
O CD foi produzido de forma independente e gravado, mixado e masterizado no Estúdio Tenda da Raposa no Rio de Janeiro. Sodré conta que levou mais ou menos de três a quatro meses compondo e fazendo os arranjos, sendo a maior parte das canções desse período e algumas um pouco mais antigas.
“Foi uma batalha incrível. Não é uma coisa fácil arranjar patrocínio. Estamos há mais ou menos dois anos tentando conseguir isso”, fala o músico, que para a viabilização do CD teve patrocínio do Banestes, da Vale do Rio Doce e Construtora Estrutural e recebeu apoio cultural da Lei Rouanet e da Lei Rubem Braga.
O show vai contar com a participação de ilustres nomes da música instrumental brasileira, de renome internacional, como o maestro-pianista Gilson Peranzzetta, o flautista e saxofonista Mauro Senise e o quarteto de cordas Quarteto Bessler, que vêm a Vitória especialmente para o concerto. Além dos músicos locais Edu Szajnbrum (percussão e bateria) e Bruno Mangueira (guitarra e violão).
Do princípio
A relação de Paulo Sodré com a música começou ainda na infância, em casa, ouvindo os discos que o pai ouvia. Na escola veio o primeiro grupo musical, Os Golfinhos, inspirado nos Beatles. Na década de 1970 foi que se lançou como músico profissional, com apoio do também contrabaixista Afonso Abreu, no show
A Ponte da Passagem, em 1974, no Teatro Carlos Gomes.
Três anos depois, foi estudar teoria musical no conservatório de Música de Londrina, no Paraná, voltando em 79 ao estado, onde passou a se apresentar na noite capixaba. Na mesma época iniciou seu amadurecimento musical, com cursos na UniRio, Villa Lobos e Composição e Regência na Faculdade Lorenzo Fernandes, mais tarde incorporada pela Universidade Estácio de Sá. A volta novamente ao estado aconteceu no início dos anos 90, quando começou a trabalhar como instrumentista e arranjador em vários CDs.
Entre suas principais influências, Sodré cita Tom Jobim, Villa Lobos, Beatles, entre outras bandas e músicos nacionais e internacionais. Para ouvir ele diz que também curte bastante coisa, mas não tudo. “Ivan Lins, Pitty, rock nacional eu gosto, Tamy. Gosto muito do que é feito aqui no Estado. Axé tenho alergia. Não ouço breganejo, axé. Alguma coisa há de errado comigo que quando eu ouço eu começo a me coçar”, conta. O disco autoral,
Sinfonia Popular Capixaba, na opinião de Sodré, é uma síntese de sua trajetória musical, com uma mistura de estilos e ritmos que fazem parte da sua formação.
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Foto: Divulgação
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Música capixaba
Desde que voltou ao Espírito Santo no início da década de 90, Paulo Sodré já trabalhou com vários artistas locais e sua visão sobre a música aqui produzida é totalmente positiva. “Eu acho que a música capixaba é uma das melhores músicas do Brasil, isso em qualquer área. Deu uma caída e acho que está voltando com força total. Eu acho que está rolando uma maturidade muito boa, mas a gente carece de divulgação, das rádios tocarem, de uma política cultural consistente”, avalia.
Segundo Sodré, os músicos do Rio de Janeiro, onde ele fez a gravação do CD, ficaram impressionados com a qualidade do trabalho e como eles nunca tinham ouvido falar, assim como também de outros músicos capixabas. “Talento não falta. Tem muita gente muito boa aqui e que tem muito mais prestígio fora do que aqui mesmo. Aqui ninguém valoriza direito”, diz Sodré, citando a cantora Tamy como exemplo.
Vitória Instrumental
O projeto
Vitória Instrumental está previsto para o início de 2008 e a intenção é que aconteça anualmente. A cada edição vai ser homenageado um ícone da música: para a estréia, o destaque será o maestro Roberto Menescal. Nascido em Vitória, Menescal completa neste mês 70 anos e a bossa nova 50 anos. Entre as atrações estarão instrumentistas capixabas e nomes internacionais como Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda, Roberto Menescal e Peranzzetta. Mais do que uma programação cultural, o projeto tem também um caráter sócio-educativo, agregando também, uma programação social, com Workshops, seminário e jam sessions.
Serviço
Lançamento do CD Sinfonia Popular Capixaba, de Paulo Sodré, nesta quinta-feira (4), às 20h30, no Teatro Carlos Gomes, Praça Costa Pereira, centro de Vitória. O disco estará à no teatro a R$ 20. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
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